09 de julho de 2026
Geral

Proibição de escova progressiva abre espaço para novas técnicas

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 2 min

O alisamento de cabelos com uso de formol, a conhecida escova progressiva, está proibida em todo Brasil pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), porém outras técnicas passam a ganhar adeptos nos salões de beleza, o que também exige cuidado. A orientação da Vigilância Sanitária de Bauru ao usuário é que, antes de se submeter ao tratamento, confira o produto que será empregado no processo.

“Se o produto tiver o registro da Anvisa, o consumidor pode utilizá-lo. Mesmo que seja importado, o produto tem que estar registrado na Anvisa e trazer rótulo traduzido para o português”, explica Ana Paula Nardo Silva, diretora da Vigilância Sanitária de Bauru. O órgão não tem recebido reclamações de usuários da escova progressiva, mas Silva ressalta que não são raros os fiscais escutarem comentários de que pessoas tiveram reações alérgicas após submeter-se ao tratamento. No Rio de Janeiro, 332 mulheres reclamaram de reações alérgicas ao formol.

A reportagem contatou três salões de beleza de Bauru ontem pedindo informações sobre como fazer a escova progressiva. Num salão do Jardim Coralina, a cabeleireira disse que faz alisamento somente à base de queratina.

Ela explicou que o método só é eficiente para cabelos que não sejam muito encaracolados. “São oito aplicações, de cerca de R$ 35,00 cada uma. Depois de seis meses, um ano, é preciso fazer de novo”, explica.

Sobre a escova progressiva com formol, ela diz que nunca fez porque sabe que o produto pode causar problemas de saúde tanto à cliente quanto a quem aplica. Em outro salão no Jardim América, a cabeleireira iniciou um enfático discurso contra a escova progressiva com formol ao ser perguntada se oferecia o serviço.

“Além da saúde da cliente, eu não vou colocar a minha carreira - tenho 43 anos de profissão - e minha saúde em risco. O formol pode causar alergia, problemas respiratórios e até câncer ”, explicou. Ela conta que faz escova progressiva, desde que os cabelos não sejam muito crespos, usando trigolátio de amônia. É um procedimento mais caro, que chega a custar mais de R$ 600,00 e exige retoque a cada seis meses.

Já outro cabeleireiro questionado pela reportagem se era possível fazer a escova progressiva com formol, que trabalha em um salão no Centro, disse que antes precisaria analisar o cabelo da cliente. Ele ressaltou que precisaria verificar se a pessoa não é alérgica e as condições do cabelo. Mais tarde, garantiu que em seu estabelecimento não são feitos mais alisamento com formol.

“Compramos um kit (do produto), mas só fizemos umas quatro escovas e acabou. Como está proibido, não fizemos mais”, garantiu.

• Serviço

A Vigilância Sanitária deve ser consultada em caso de dúvida sobre o produto usado em alisamento ou de reação ao produto. O telefone é (14) 3227-4905.