Os funcionários da Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (Cteep) e o Sindicato dos Eletricitários (Sinergia) de Bauru realizaram ontem uma assembléia que atrasou em duas horas o início do turno de trabalho das 7h. A discussão girou em torno da crítica de funcionários e sindicalistas ao projeto de desestatização da empresa, que está na pauta da sessão de amanhã da Assembléia Legislativa.
O representante do Sinergia Jesus Francisco Garcia explica que a mobilização pretende impedir a discussão e aprovação do projeto de lei 02/05, de 3 de fevereiro deste ano, de autoria do governo do Estado. Para o sindicato, é o passo para a privatização da empresa. A proposta do governador Geraldo Alckmin visa incluir a Cteep no Projeto Estadual de Desestatização (PED) - lei nº 9.361, de 5 de julho de 1996.
Segundo Garcia, pelo projeto o governo propõe diminuir sua participação acionária na empresa, com a justificativa de “reforçar o patrimônio de outras empresas estatais sob seu controle”. O deputado estadual Pedro Tobias (PSDB) garante que o projeto de lei será votado amanhã, na AL, e que visa melhorar o patrimônio da Companhia Energética do Estado de São Paulo (Cesp).
Ele explica que a proposta daria à Cesp garantias para renegociar sua dívida com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). “Não será privatizada se o BNDES rolar a dívida”, ressalta Tobias.
Os sindicalistas entendem que essa é a forma que o governo estadual criou para privatizar a Cteep.
Ontem, às 7h, o deputado estadual Sebastião Arcanjo (PT), membro da Comissão de Obras e Serviços Públicos da Assembléia Legislativa, participou da mobilização. Ele diz que apresentou uma proposta alternativa à privatização da estatal. Arcanjo argumenta que a proposta do governo Geraldo Alckmin não resolveu a questão do endividamento do Estado e que as tarifas de energia estão sendo elevadas.
Não foi informado à reportagem quantos dos 500 funcionários da empresa em Bauru e região aderiram à assembléia. Segundo Garcia, a Cteep possui 2.800 funcionários em todo Estado de São Paulo.
Amanhã, às 7h, haverá nova assembléia e cerca de 20 funcionários de Bauru se programam para ir à AL para um corpo-a-corpo com os parlamentares estaduais, na tentativa de inviabilizar a votação do PED.
No final de fevereiro deste ano, representantes sindicais de Bauru fizeram uma coleta de assinaturas na Praça Rui Barbosa para um abaixo-assinado contrário à privatização da Cesp, da Emae e da Cteep.