08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Bento XVI e o nazismo


| Tempo de leitura: 2 min

Muito se tem falado nas últimas semanas sobre a ligação do recém-eleito papa Bento XVI com o regime nazista da Alemanha. Discute-se sobre a suposta simpatia de Joseph Ratzinger pelas idéias de Hitler e sobre sua participação no front da 2.ª Guerra Mundial. Uma piada comum diz que Ratzinger deveria ter adotado o nome de “Adolf I” numa clara alusão a Adolf Hitler. Creio que alguns pontos sobre este assunto devem ser considerados.

Hitler foi ao poder na Alemanha em 1933 e invadiu a Polônia em 1939, dando início à 2.ª Guerra Mundial. Em 1939, o saudoso Karol Wojtila, o papa João Paulo II, tinha 18 anos, como Ratzinger tinha em 1945, quando defendeu as Flak, a Divisão de Defesa Anti-aérea da Werhmacht, o exército nazista alemão, protegendo uma fábrica de tratores dos ataques aéreos aliados. Nem por isso - por ter 18 anos - Wojtila foi cooptado pelo nazismo. Pelo contrário, praticou teatro, participou de um grupo de estudos do Evangelho e freqüentou o seminário durante a ocupação nazista na Polônia. Todas essas atividades eram terminantemente proibidas pelo regime e a punição para quem fosse pego praticando-as era, via de regra, a morte, uma vez que os agentes nazistas não eram pessoas exatamente “compreensivas”.

É indiscutível que a sociedade engolfava os jovens na Alemanha Nazista. Nunca é demais lembrar que a participação na Juventude Hitlerista era obrigatória para todos os jovens alemães. Mas é também indiscutível que é a capacidade de resistir à opressão e ao mal institucionalizado que difere os bravos dos cidadãos comuns. Ratzinger não fugiu do front. Aceitou-o. Não que fosse fácil fugir, obviamente não era. Mas não consta que era impossível.

Por isso, creio que João Paulo II levou a bravura às últimas conseqüências. Subverteu, resistiu pelos únicos meios que encontrou. Jamais deu um passo sequer em direção à desistência. Deu provas de desapego e bondade. Para muitos, foi santo. Já Bento XVI não mostrou a mesma coragem. É improvável que compartilhasse da idéias de superioridade racial e da ganância típicas dos nazistas. Certamente, foi apenas mais um jovem amedrontado pego no turbilhão de eventos dantescos que tomou conta da Europa naquele período. Um jovem que esteve tão longe de ser um nazista de carteirinha, como está de ser o maior representante de Deus na Terra.

Juliano Nascimento Bernardo - RG: 30.954.069-0