08 de julho de 2026
Política

Marta 'copia' FHC e combate CPI

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 3 min

A vice-presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT) e ex-prefeita de São Paulo, Marta Suplicy, disse ontem em Bauru que também é contra a instalação de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) pelo Congresso para apurar a denúncia de cobrança de corrupção (propina) contra funcionário dos Correios, em Brasília (DF).

Para se posicionar contra a CPI, a pré-candidata ao governo do Estado pelo partido em 2006 assume o mesmo discurso dos tucanos quando os petistas eram os defensores vorazes de investigações durante a gestão FHC: a CPI paralisa o Congresso e isso é ruim para o País.

“A reação do Fernando Henrique era exatamente essa, de que a CPI não deveria ser feita porque teria utilização política. “CPI sempre acaba tendo utilização política. Agora, investigação, essa é importante, porque ficou uma mancha feia que pesa sobre o partido que fez a nomeação, apesar de ser um funcionário de quarto ou quinto escalão, que falou coisas sérias e que precisam ser apuradas”, disse em entrevista coletiva ontem sobre a denúncia dos correios.

A exemplo do que defendiam os tucanos, contra as intenções vorazes dos petistas a favor de CPIs, agora Marta aplica o argumento de que é preciso investigar, mas não precisa ser através do Congresso. “Acho que a Nação exige isso, mas acho que não precisa ser por CPI porque a CPI vai além da investigação. A CPI paralisa e tem uso político que neste momento do país, eu não acharia adequado”, citou.

Indagada se então os petistas erraram ao defender seguidas CPIs no governo passado - jogando contra os interesses institucionais do País de acordo com a argumentação da própria ex-prefeita -, Marta preferiu se situar apenas na simplista troca de papéis no jogo político nacional. “Não. Acho que o partido fez seu papel de oposição e o Fernando Henrique fez o papel dele de ter a mesma avaliação de que seria difícil e poderia tumultuar politicamente o Congresso”, pontuou.

Marta Suplicy considera a denúncia de cobrança de valor em dinheiro (propina) por funcionário dos Correios indicado pelo PTB grave, mas acha que a apuração já está sendo realizada. “Acho muito grave o que ocorreu. Mas uma CPI acaba tendo conotação política e tem que pensar muito se vale a pena. Acho que em princípio, eu seria contra. Acho que precisa de uma investigação muito rigorosa por parte da Polícia Federal”, defendeu.

Para sedimentar sua posição contrária à CPI, a ex-prefeita de São Paulo lança mão de crítica à atual conjuntura de lideranças no Congresso. “Nesta altura, o Congresso como está, com a falta de lideranças, com a falta de rumo, com a dificuldade que está, se você coloca uma CPI dessa são quatro meses de nova paralisação que eu não acho que leva o País a canto algum”, reforçou.

Visita

A visita da pré-candidata à cidade teve alteração em boa parte da agenda. Em princípio, Marta cumpriria extensa programação com veículos de comunicação e ainda participaria de debate com núcleo de mulheres na Câmara Municipal, além de encontro com militantes.

Mas a assessoria da ex-prefeita justificou que compromissos na Capital, de última hora, exigiram a modificação na programação. Com isso, Marta Suplicy chegou a Bauru no final da tarde e manteve encontro rápido com o prefeito Tuga Angerami (PDT). Em seguida, concedeu entrevista coletiva e teve encontro breve com militantes.

Marta Suplicy é pré-candidata ao governo do Estado pelo PT junto com o senador Aloizio Mercadante e o deputado federal João Paulo Cunha, ex-presidente da Câmara Federal.