09 de julho de 2026
Polícia

Destruição de materiais deixa internos da Febem sem aula

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

Após duas rebeliões seguidas - domingo e anteontem -, os 74 internos da unidade de Bauru da Fundação para o Bem-Estar do Menor (Febem) passaram o dia de ontem em seus quartos e em uma área de convivência, sem direito a aula, exercícios físicos, entre outras atividades de rotina. Como os rebelados queimaram colchões, quebraram computadores, cadeiras e outros mobiliários, ontem ainda não havia condições seguras de desenvolver as atividades sócio-educativas de rotina, segundo Jorge Pinholi, diretor da unidade.

O Sindicato dos Trabalhadores em Entidades de Assistência ao Menor e à Família do Estado de São Paulo (Sintraenfa) anunciou que hoje vai entregar ao Ministério Público e às comissões de direitos humanos da Câmara Municipal de Bauru e da subsede local da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) um documento no qual pede, entre outras coisas, averiguação das condições de segurança do prédio da Febem. Heitor Theodoro, diretor do sindicato, adiantou que, no documento, a entidade vai pedir a interdição de parte da Unidade de Internação da Febem, local onde ocorreu a rebelião de anteontem.

“Não há as mínimas condições de segurança tanto para os adolescentes quanto para os funcionários. Além dos colchões e computadores quebrados, tem pias sem torneiras, portas fragilizadas e até paredes trincadas”, enumera Theodoro. Pinholi reconhece a fragilidade do prédio após duas rebeliões seguidas, mas garante que não há necessidade de interdição. “Estamos começando a pôr a casa em ordem. Aos poucos, vamos restabelecer a rotina”, argumenta o diretor.

A informação foi reiterada pela assessoria de imprensa da Febem, que afirma que serão feitos consertos no prédio, se houver necessidade, mas não haverá interdição. Até o final da tarde, o diretor ainda não havia levantado o prejuízo causado pelas duas rebeliões.

A assessoria de imprensa da Febem informou que vai repor os colchões, computadores e demais equipamentos queimados ou quebrados durante as rebeliões ainda nesta semana. Também reafirmou que os adolescentes não serão transferidos e que o número de vagas em Bauru não será reduzido - as novas unidades em construção são menores, têm capacidade para 40 menores.

Gilberto Truijo, presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB, disse que iria ouvir um grupo de mães de internos da Febem e analisar o documento que deve receber do Sintraenfa para depois decidir qual medida tomar. “Poderemos fazer nova visita à Febem e até solicitar laudo técnico sobre as condições do prédio a um engenheiro. Se ficar provado que realmente o prédio não tem segurança, vamos pedir a interdição”, frisa.

A vereadora Majô Jandreice (PC do B), que preside a Comissão de Direitos Humanos da Câmara, também aguarda o documento do Sintraenfa. “Quando soubemos da reunião ontem (anteontem) até cogitamos ir à Febem, mas desistimos porque isso não ia ajudar. Mas amanhã (hoje) vamos retomar o assunto com os demais vereadores da comissão e poderemos agendar uma visita à Febem”, diz.

Grupo de mães

As mães de adolescentes internados na Febem de Bauru começam a se organizar com o objetivo de formar uma associação para, assim, poder ajudar seus filhos. Por enquanto, oito mães têm comparecido às reuniões feitas na OAB.

“O que é mais comum é eles (os internos) pedirem para rever processo. Mas também pedem roupas de frio, para trocar o sabonete que está dando alergia, entre outras coisas”, relata uma mãe. Ela acredita que a formação de uma associação dará mais força às mães para cobrar os direitos de seus filhos apreendidos.