09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Campanha do agasalho


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O inverno já está mostrando sua cara! Com temperaturas amenas, já estamos necessitando nos agasalhar, ainda que com vestimentas leves. É quase impossível sairmos de casa de manhã ou à noitinha sem vestirmos uma blusa. À noite, na cama, já se fazem necessários cobertores. Diante disso, as entidades filantrópicas, igrejas e até o governo já estão sinalizando para a Campanha do Agasalho que será lançada em breve. A Igreja Católica já se antecipou, adotando mais uma vez a prática de decorar as ruas para a procissão de Corpus Christi com cobertores e agasalhos, os quais serão posteriormente doados.

Todo ano é a mesma coisa. Sempre tem muita gente necessitando de agasalhos e esse número vem aumentando, levando muitas pessoas a questionar se o produto arrecadado é mesmo distribuído entre os necessitados. Se analisarmos por nós, poderemos até deduzir que possa haver algum trambique. Pessoalmente, possuo cobertores com mais de 20 anos de uso e meus agasalhos mais recentes datam de cerca de cinco anos. E todos, cobertores e agasalhos, encontram-se em perfeitas condições, sendo que neste ano, mais uma vez, não irei comprar para mim nenhuma confecção de inverno. Justiça seja feita! Pelo menos aqui em Bauru não existe má fé. As entidades filantrópicas e as igrejas, aliadas à Polícia Militar, que participam tradicionalmente da Campanha do Agasalho são bastante sérias e o produto arrecadado é efetivamente entregue a quem necessita.

E por que o número de necessitados não diminui de ano para ano? A resposta talvez seja a de que é interessante ser pobre em nosso País. Há um endeusamento da miséria por parte das autoridades constituídas, as quais mantêm esses grupos alimentados a cestas-básicas e outros assistencialismos, acostumando-os a “comer no cocho”, eliminando toda e qualquer iniciativa de libertação, tornando essa massa facilmente conduzida ao sabor de suas ideologias. Estabelece-se um círculo vicioso, em que os governantes garantem seus votos e os votantes garantem a sua sobrevivência sem muitos esforços.

A nós, cidadãos, é apresentada a conta a ser paga através dos impostos. E, quando chega esta época do ano, somos bombardeados por comoventes campanhas publicitárias apelando para que doemos um pouco de calor humano a quem tem frio. Como cidadãos honestos, não deixamos de pagar nossos impostos. Como cristãos, não deixamos de dar o que comer a quem tem fome e a vestir a quem está nu; mesmo que algum alimento doado seja trocado por bebidas, cigarros ou drogas, e a roupa e o cobertor que também doarmos sejam transformados em pano de chão quando chegar o verão.

O que falta em nosso País é exigir uma contrapartida das pessoas que recebem algum tipo de assistência. Como vimos, não existe interesse por parte do governo e nem por parte dos assistidos. Afinal, se começar haver algum tipo de cobrança, poderá se acabar com a indigência. Aí como ficará a Campanha do Agasalho do ano que vem? E o que os políticos terão para oferecer às pessoas menos favorecidas?

Antonio Vitorino Ferreira - RG 9.817.501