10 de julho de 2026
Rural

IPA produzirá hortaliças orgânicas

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 4 min

O cultivo de girassol transformará a horta do Instituto Penal Agrícola (IPA) de Bauru numa plantação orgânica. A planta está sendo utilizada num processo de adubação verde. O diretor técnico de departamento do IPA, Gilberto de Assis Oliveira, ressalta que a escolha do girassol deve-se às suas qualidades minerais. Acrescenta-se a isso o ganho financeiro com a diminuição de 30% dos gastos com fertilizantes na horta.

Oliveira só vê vantagens na comparação do adubo verde com a adubação feita por meio de produtos convencionais - nitrogênio e fósforo. Com o novo manejo, o solo ganha proteção e há uma melhora de suas características químicas, físicas e biológicas.

Outro fator determinante para a escolha da planta é que o IPA já possuía as sementes. Oliveira explica que o objetivo é melhorar a qualidade das hortaliças. Atualmente, o IPA produz 6 mil quilos por mês. A nova horta produzirá uma grande variedade de produtos.

Em breve começará a colheita de pimentão, berinjela, cenoura, pepino, abobrinha e outros legumes orgânicos. Numa área de 5 mil metros quadrados, foram plantados aproximadamente cinco quilos de sementes de girassol. O plantio foi a primeira etapa da transformação da horta. Dependendo do tipo de legume, após 90 dias já começa a colheita.

Toda a produção é destinada à alimentação dos 880 reeducandos da instituição penal. A horta supre toda a demanda por verduras e legumes no IPA.

As cores vivas dos imponentes girassóis plantados no instituto não poderão mais ser vistas a partir da semana que vem. A plantação será transformada em adubo orgânico na segunda etapa do processo de mudança da horta para o sistema natural.

Oliveira diz que a planta vira adubo antes de atingir o estágio de maturação. Ele explica que, nesse processo de adubação, o girassol precisa ser incorporado ao solo entre 60 e 80 dias após o seu plantio. Nos trabalhos que serão efetuados nos próximos dias, a plantação de girassóis será roçada e misturada ao solo. Atualmente, a horta absorve o trabalho de 30 reeducandos que cumprem pena no instituto.

O discurso que justifica os produtos orgânicos não revela todo o efeito obtido com a produção não convencional no cultivo de alimentos. O presidente da Associação dos Produtores Rurais Orgânicos do Centro-Oeste Paulista (Aprocop), Massao Sassaki, revela que além do orgânico ser ecologicamente correto, tem uma cadeia produtiva revolucionária.

Ele explica que os trabalhadores na lavoura orgânica são empregados atendendo as normas da lei trabalhista. Além disso, as pessoas têm que residir em moradia com infra-estrutura mínima - água, luz e saneamento básico.

Estes valores amplificam o efeito de uma produção que dispensa agrotóxicos e que não agride o meio ambiente. A pessoa que consome os produtos da agricultura orgânica também ajuda o meio ambiente e o social, lembra Sassaki.

Ele já foi plantador de tomate convencional, mas a partir de 1999 iniciou a produção de orgânicos. Atualmente cultiva legumes, hortaliças e algumas variedades de frutas em Aparecidinha, em Arealva.

Sassaki diz que a principal característica do produto orgânico é sua durabilidade na geladeira e o sabor acentuado dos legumes, frutas e hortaliças. Ele lembra que a certificação de qualidade dos alimentos é dada pelo Instituto Biodinâmico de Botucatu (IBD). Essa certificação garante que o produto não tem agrotóxico e que está dentro da cadeia produtiva social.

Os tabus contra a produção orgânica inicialmente foram quebrados pelos próprios produtores. Sassaki explica que, no início, o produtor resiste, influenciado pelo cultivo convencional que oferece lucro rápido. “Tem que mudar o pensamento. O processo é demorado mas é muito gratificante.”

Atualmente, a Aprocop conta com 12 associados. A entidade foi criada em 1998 e passou a funcionar em 2000. Produz leite, ovos, palmito, maracujá e polpa da fruta, café, legumes, hortaliças e cachaça. Há um ano, a produção é comercializada na feira livre da rua Gustavo Maciel, aos domingos.

• Serviço

No último dia 10 foi inaugurada a Mercearia Sabor Orgânico, que congrega os associados da Aprocop. Com a loja, os produtores passaram a ter um ponto de venda fixo na rua Machado de Assis, 11-56. Na loja também funciona a sede da associação. Mais informações pelo telefone (14) 3224-1888 ou no site www.aprocop.org.br.