08 de julho de 2026
Geral

Donos resistentes à eutanásia de cães leva prefeitura à Justiça

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

A administração municipal fez mais uma ofensiva contra proprietários de cães infectados por leishmaniose que não querem entregá-los para eutanásia. Ontem, a Secretaria de Negócios Jurídicos protocolou no Fórum de Bauru ação civil pública cautelar de busca e apreensão, com pedido de liminar. Se aceita pela Justiça, a prefeitura poderá penalizar com multa diária de R$ 200,00 o dono do animal que se negar a entregá-lo para exames laboratoriais e para sacrifício.

De acordo com a assessoria de imprensa da prefeitura, a sanção será extensiva aos proprietários de imóveis que impedirem fiscalização, retirada ou adequação dos objetos que, em razão das condições sanitárias, possam servir como criadouro para o mosquito palha - transmissor da leishmaniose, que se procria em material em decomposição.

Como fezes de bovinos, eqüinos e aves favorecem a procriação do mosquito hospedeiro, os criadores com propriedade em área urbana também estão na mira da prefeitura. Na ação, o poder público municipal solicita ainda que sejam designados dois oficiais de Justiça para acompanhar diariamente as equipes de coleta. Também pede a colaboração da Polícia Militar para que auxilie no cumprimento da decisão.

“É uma necessidade. Não estou brincando. O grosso da população está ajudando, mas não posso deixar um (cão) para trás (sob risco de contaminar os outros saudáveis e humanos)”, enfatiza diretor do Departamento de Saúde Coletiva (DSC) de Bauru, Mario Ramos. De acordo com ele, as medidas adotadas pela administração municipal seguem as normas técnicas do Ministério da Saúde.

“Nossa prioridade é a área de transmissão em humanos. Fazemos coleta (do sangue em animais) num raio de 200 metros do caso positivo (no homem)”, explica Ramos. Mas se dependesse só da preocupação e da vontade da professora Rosa Maria Romero dos Santos, moradora da Vila Dutra, também seria submetida ao exame toda a família do animal infectado. Dos três cães que tinha, dois morreram contaminados pela doença.

Um não resistiu aos sintomas antes mesmo da confirmação da leishmaniose. Outro parecia estar com a saúde em perfeito estado, mas havia sido picado pelo mosquito palha e foi entregue à eutanásia. “A gente convive muito tempo com eles sem saber (que estão infectados). É um risco grande. A Laica parecia normal”, diz. Dos três cachorros, o único sobrevivente é Tony, que agora tem como companheira a filhote Lola, de 5 meses.

“Eu não desanimei em querer ter (animal de estimação). Daqui a pouco chega mais um, de 1 mês. Sofri bastante (para entregar a Laila). Fomos (ela e a filha) até a casa da vizinha da frente para não ver (a entrega do animal para sacrifício). Espero que não aconteça mais, mas se acontecer, passamos tudo de novo. Nós temos consciência”, conclui.