09 de julho de 2026
Geral

PM inicia prevenção contra uso de cerol

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

A Polícia Militar (PM) de Bauru vai começar, na próxima semana, a orientar alunos de cerca de 80 escolas municipais e estaduais da cidade nas quais desenvolve projetos educativos sobre o risco do uso do cerol na linha de pipa. O produto é uma mistura de vidro moído com cola e que é passado na linha da pipa com o objetivo de derrubar a do companheiro, o que pode causar graves acidentes.

Além de cortes profundos e até a amputações de membros, como dedos, se a linha cortante atingir o pescoço de um motociclista em movimento, o risco de morte é grande. O último caso registrado em Bauru foi em 1999, mas todos os anos há acidentes com feridos.

Por isso, a PM já está se preparando para trabalhar preventivamente com as crianças e adolescentes, que costumam aproveitar a época das férias de julho, quando o vento costuma ser mais forte, para soltar pipa. Ontem, o capitão Jorge Miguel, comandante da 1.ª Cia da PM, fez uma palestra para cerca de dez policiais que coordenam o Jovens Construindo a Cidadania (JCC), projeto educativo desenvolvido nas escolas da cidade, sobre como deve ser a orientação dos alunos.

“O cerol é uma diversão de origem chinesa que pode causar cortes, mutilações e mortes, além de danos na rede elétrica. A orientação que será passada para os alunos é não usar o cortante de forma alguma, além de dicas para evitar acidentes. O uso da antena na moto para impedir que o cortante atinja o motociclista é uma dessas dicas”, frisa o capitão Jorge.

A previsão do capitão é que as orientações cheguem a cerca de 25 mil alunos. O soldado Adilson Raeder da Silva, que coordena o JCC na escola Aryton Busch, no Parque Jaraguá, conta que mesmo fora do período de férias escolares não é tão raro encontrar crianças soltando pipa com cerol no bairro em que trabalha. “Tem durante todo ano, mas quando chega junho e julho, aumenta muito”, diz ele, que já chegou a apreender o material sendo comercializado em um mercadinho do bairro.

Como parte da orientação passada aos policiais, o capitão Jorge fez uma simulação de acidente com cerol. Sobre uma moto, no lugar de um motociclista, foi colocado um boneco de plástico com pescoço de abóbora e capacete. Dois policiais pressionaram a linha com cerol esticada sobre o pescoço, como ocorreria se o motociclista em movimento fosse atingido pelo cortante.

Em poucos segundos, a abóbora foi decepada, mostrando o que poderia ocorrer se no lugar do boneco estivesse uma pessoa. O mototaxista Roberto Carlos Fagundes, 34 anos, vítima de um acidente com cerol há quase três anos, quando passava de moto pela avenida Jânio Quadros, no Jardim Godoy, sabe bem o poder cortante do vidro moído misturado à cola.

Além do corte no pescoço, que deixou uma grande cicatriz, o acidente trouxe outra lição: “Coloquei antena contra cerol na minha moto e desde aquele dia nunca mais tirei”, conta. Fagundes revela que poderia ter sofrido outros acidentes se não fosse a antena, que evita que a linha cortante atinja o pescoço do motociclista.

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Penalidade

O adolescente flagrado utilizando o cerol em sua linha pode ser encaminhado para a delegacia, juntamente com os pais, para ser lavrado o ato infracional, baseado no artigo 132 do Código Penal, que discorre sobre o ato de colocar a vida de outra pessoa em perigo. Como é inimputável, o menor não será penalizado.

Mas seus pais podem ser qualificados no artigo 249 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) por descumprimento do dever do pátrio poder, ou seja, por ter permitido que seus filhos brinquem com substância perigosa.

Como penalidade, eles terão que pagar uma multa que pode variar de três a 20 salários de referência. Dependendo do caso, o menor poderá também ser penalizado com medidas sócio-educativas.