07 de julho de 2026
Auto Mercado

Rivalidade é 'combustível' das arrancadas

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 3 min

Quem foi ao Sambódromo Municipal, no último domingo à tarde, para assistir à primeira etapa da Copa Bauru de Arrancada viu muito mais do que um show de emoção e arrojo dos pilotos. A prova, que lotou toda a extensão das arquibancadas e atraiu centenas de competidores de Bauru, região e até de outros Estados - foram exatos 208 veículos inscritos -, também demonstrou que a rivalidade saudável entre os participantes é um dos principais ingredientes da receita de sucesso do evento.

E ela começa muito antes dos “pegas” na pista. Nos dias que antecederam a realização da competição, os pilotos já trocavam “farpas” através do site oficial da Copa (www. copabaurudearrancada.com.br). Nas mensagens, era comum encontrar competidores desafiando-se e prometendo fazer os outros “comerem” poeira.

Mas é no dia oficial das “puxadas” - termo usado para definir as arrancadas - que a rivalidade se acirra, seja antes, durante ou depois dos duelos na pista entre as sete categorias: tração dianteira original, tração dianteira turbo light, tração dianteira turbo top, tração traseira original, tração traseira turbo, força livre e importados.

Entretanto, os pilotos são unânimes em ressaltar que as provocações não ultrapassam os limites do bom senso, pois o que realmente impera é a amizade entre todos. “Zoar os outros faz parte do espetáculo, mas a intenção é sempre fazer isso de forma saudável, com segurança, dentro da lei e o mais importante: fora das ruas”, ressaltou o piloto Lissandro Silva, de Santa Cruz do Rio Pardo (SP), que competiu na categoria turbo light com um “Passatão” de 250 cavalos. Além disso, ele sustenta que a solidariedade é uma das marcas registradas das arrancadas. “Um dá a mão para o outro. Se quebra alguma peça ou dá defeito, todo mundo ajuda”, garantiu.

Mas, amizades à parte, vale tudo na hora de “tirar um sarro” em outro piloto. “O negócio é fazer barulho para intimidar. Mas o bicho pega mesmo é lá na hora de acelerar, quando o que conta é o sangue frio para fazer tudo sair direito”, revelou o santacruzense.

Quem também apostou no “ronco” do motor para impressionar e desestabilizar os adversários é o botucatuense Cacaio Rosa. Competindo pela primeira vez, foi uma das sensações da Copa quando alinhava o veículo mais potente do evento: um “Dojão” 1979 com frente elevada e motor V8 de 550 cavalos que custou, até aquele momento, cerca de R$ 25 mil para ser fabricado.

E, com esse verdadeiro “canhão” nas mãos, Rosa não pensava duas vezes. “Com os 5 mil giros do V8 na orelha do adversário não preciso de mais nada”, frisou. E acrescentou: “Parou no semáforo do grid a amizade acaba, pois falar que você vai tirar o pé para o outro ganhar é lenda.”

O AutoMercado & Cia pretendia publicar os vencedores de todas as categorias, mas a comissão organizadora e a empresa responsável pelo sistema de cronometragem da Copa Bauru de Arrancada utilizaram apenas os números dos veículos como referência, o que inviabilizou a publicação dos nomes dos pilotos campeões.