08 de julho de 2026
Geral

Templo budista tenta atrair jovens

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 3 min

São 7h. Independente do dia da semana, um grupo de pessoas, formado em sua maioria por japoneses e descedentes, caminha pela avenida Castelo Branco. Ao atingirem o número 7-50, um deles coloca a chave na porta. Um simples giro e tem-se a visão imediata de um oratório que remete há 2.500 anos. A data refere-se ao nascimento de Buda. O oratório compõe o cenário do único templo budista de Bauru.

Foi em 1959 que um grupo de japoneses e seus descedentes nascidos em solo brasileiro decidiram transferir das redondezas de Duartina para Bauru o único templo budista conhecido na região. A mudança ocorreu porque o vizinho município, que abrigou milhares de famílias japonesas nas décadas de 40 e 50, foi abandonado pelos imigrantes na troca por outras fronteiras agrícolas com terras mais fertéis.

Assim nasceu a Associação Religiosa Nambei Hongangi de Bauru, abrigada num prédio discreto da antiga avenida Expedicionários, hoje Castelo Branco. Seu freqüentadores fazem questão de manter a tradição e costumes herdados por seus antepassados no Japão. Mesmo sem sacerdote, falecido há dois meses, o grupo se reúne diariamente para as orações.

Para o presidente da entidade budista, Kiuroko Sasaki, são 90 minutos de dedicação ao espírito e pedidos reiterados para a paz, dedicação e amor ao próximo, respeito aos antepassados e solidariedade.

A maior dificuldade da comunidade budista é atrair jovens para o templo. “Os sacerdotes que passam por aqui não falam português. E os mais jovens não entendem a língua japonesa. Nosso grupo é formado por pessoas de mais idade”, diz Massaro Ogino, um dos membros que mantém a assiduidade nos cultos.

São cerca de 130 pessoas que marcam presença com freqüência no templo. “Aqui cada um traça sua linha de conduta de acordo com o que aprende. Não há formas coercitivas para se adotar comportamentos”, afirma Ogino.

Assim como no mundo, o budismo no Brasil é composto por vários segmentos, cada um disseminando sua filosofia de vida. A professora de educação física e bailarina Ana Karina Cruz é adepta do budismo há dez anos.

“Antes de me converter, pesquisei muito sobre outras religiões e nunca encontrei as respostas que queria. Nenhuma me cativou”, revela. Ela encontrou amparo no Budismo de Nitiren Daishonin, difundido no Japão a partir do ano de 1222.

Na mesma linha de dedicação de seus colegas da Nambei Hongangi, Cruz reza pelo menos uma hora por dia. Os adeptos desse segmento do budismo não tem templo, mas uma sede onde se reúnem para discussão e debates sobre o cotidiano da vida.

Segundo Marcos Ueda, vice-responsável pela Região Metropolitina de Bauru, o Budismo de Nitiren Daishonin (1222-1282) teve início no Japão do século XIII, quando este sábio budista estabeleceu o Nam-myoho-rengue-kyo, como a essência da iluminação atingida pelo Buda Sakyamuni, capaz de transformar a vida de todas as pessoas em qualquer época.

Os ensinos de Nitiren afirmam que cada indivíduo, não importando sua raça, gênero, capacidade ou posição social, têm o poder de superar os inevitáveis desafios da vida, desenvolvê-la com grande valor e criatividade e influenciar positivamente a comunidade, a sociedade e o mundo.

Sakyamuni viveu na Índia há aproximadamente 2.500 anos. Em sua juventude, conhecido como Siddhartha Gautama, dedicou-se a encontrar uma solução para o sofrimento fundamental da existência humana. Durante 50 anos, ensinou aos seus discípulos como atingir o “estado de Buda”, uma condição de vida caracterizada por uma total liberdade interior, sabedoria ilimitada, compaixão e benevolência infinitas.