07 de julho de 2026
Regional

Reabilitação é complexa

Michelle Roxo
| Tempo de leitura: 2 min

No centro de reabilitação no Instituto Fauna Vida, o destino dos animais saudáveis que possuem baixo grau de domesticação, ou seja, que possivelmente ficaram pouco tempo em cativeiro, é ser reintroduzido em seu habitat natural.

Já os que apresentam alto grau de domesticação são submetidos a um trabalho mais complexo nos setores de integração ambiental.

Os animais são alojados em viveiros dentro da própria mata e divididos entre as categorias domesticados e não-domesticados. A área dos viveiros tem ecossistemas com características do cerrado e Mata Atlântica.

Os animais domesticados continuam recebendo visitas porque necessitam da presença do homem. De acordo com Cláudia Costa, do setor de etologia do Centrofauna, aos poucos esse contato torna-se mais esporádico e os animais são transferidos para ambientes maiores onde podem exercitar sua capacidade de vôo ou locomoção. Também a alimentação vai mudando de forma gradativa.

Nabor Veiga, professor da área de animais silvestres da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Unesp de Botucatu, observa que o processo de reintegração de um papagaio domesticado à natureza pode levar cerca de dez anos.

“A gente começa a substituir gradativamente os alimentos que eram administrados para o animal no cativeiro (onde vivia) por aqueles encontrados na natureza”, diz o professor.

No Centrofauna, há animais que já estão em processo de retorno ao estado selvagem. Eles permanecem em viveiros no meio da mata e são alimentados uma vez por dia, tendo o mínimo de contato com os profissionais envolvidos no projeto. Alguns viveiros foram construídos em locais fechados, de difícil acesso, onde é proibida a presença de visitantes.

Nesses espaços de reabilitação guardados pela mata, há também os animais que se encontram em estado selvagem e que aguardam apenas autorização judicial para serem reintroduzidos em seu habitat natural.

O destino dos animais que possuem deficiência física é permanecer no cativeiro do próprio instituto. Esse provavelmente será o caso do papagaio Albert, que foi retirado do ninho muito cedo e levado para a vida em cativeiro. Ele teve os membros atrofiados e apresenta distúrbio de comportamento. “Provavelmente, ele viverá aqui por toda vida, mas com todo o bem estar possível”, assegura Janaína Mello, coordenadora do setor de reabilitação e integração ambiental do projeto Centrofauna.

O bem-estar dos animais inclui tratamento fitoterápico, com plantas medicinais cultivadas na área do Instituto Floravida. A arruda, por exemplo, é utilizada para evitar piolhos e demais parasitas; já a hortelã e alecrim para combater verminoses.

De acordo com dados do Instituto Floravida, o custo mensal de manutenção do projeto, incluindo o trabalho de profissionais, é de cerca de R$ 10 mil. A maior parte é coberta por doações.