Quando chegam ao Centro de Triagem de Animais Silvestres (Ceta), instalado na Fazenda Experimental Lageado da Universidade Estadual Paulista de Botucatu, não são poucas as espécies que apresentam marcas de maus-tratos e estresse pelo período de vida em cativeiro.
Da recepção na unidade à reintrodução dos animais na natureza, existe um longo trabalho, que envolve veterinários, zootecnistas, biólogos e etólogos (que estudam o comportamento animal). A preocupação com o bem-estar dos animais é observada desde a apreensão até o processo de soltura.
Em Botucatu, o projeto, credenciado neste ano pelo Ibama, foi batizado como Centrofauna e tem sido desenvolvido em parceria entre a Unesp e iniciativa privada, através do Instituto Floravida.
Cada animal que chega à unidade é levado ao setor de recepção e isolado dos demais. Eles são retirados das jaulas ou gaiolas e permanecem no local para se recuperar do estresse provocado pela apreensão.
Passada essa etapa, os pesquisadores identificam o gênero e espécie, nome científico, habitat natural e o tipo de alimentação própria do animal. Buscam também a maior parte de informações complementares, como o tempo de vida em cativeiro e seus hábitos alimentares no antigo ambiente.
Ainda no centro de triagem, o animal é submetido a exames que indicam o estado de saúde e sua capacidade de ser reintegrado à natureza.
O setor de etologia é acionado e elabora um laudo avaliando o grau de mansidão do animal. “O alto grau de mansidão significa que ele está domesticado e temporariamente impossibilitado para soltura na natureza. Já se o grau de mansidão for baixo, significa que esse animal está em estado selvagem e poderia ser solto imediatamente, apresentando condições físicas adequadas”, explica o professor Nabor Veiga, da área de animais silvestres da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnica da Unesp.
Nesse último caso, o grupo tenta identificar a área de ocorrência da espécie em questão e avalia se o ecossistema apresenta capacidade para recebê-la.
Quarentena
Depois de examinados e alojados em viveiros adequados, os animais ficam sob quarentena, sendo alimentados e observados para a identificação de possíveis doenças. Casos mais graves que necessitam de intervenção cirúrgica ou serviços especializados são encaminhados ao Hospital Veterinário da própria Unesp.
Do centro de triagem na Fazenda Lageado, os animais são encaminhados aos viveiros do Instituto Floravida, onde tem prosseguimento o trabalho de reabilitação por meio de sistemas de manejo que se aproximam das áreas naturais de ocorrência das espécies.
Atualmente, cerca de 300 animais são mantidos pelo projeto Centrofauna. “Mas esse número flutua muito. Numa única apreensão podemos receber centenas de animais”, destaca Veiga.
Segundo o professor, somente o centro de triagem na Unesp tem capacidade para receber mil animais. Já o trabalho de reabilitação desenvolvido nos viveiros do Instituto Floravida pode atingir 600. Cerca de 95% dos animais encaminhados para o local são aves, entre elas tucanos, papagaios e passeriformes diversos.