Tossir, espirrar, gargalhar, pegar alguma coisa do chão, levantar-se de uma cadeira podem parecer atividades simples para a maioria das pessoas. Mas para quem sofre de incontinência urinária essas atitudes rotineiras se transformam em verdadeiras ameaças. O menor esforço pode fazê-las urinar, gerando enorme constrangimento.
Pois a solução pode ser mais fácil do que parece. Segundo especialistas, muitos desses casos podem ser tratados com simples sessões de fisioterapia. Por meio de exercícios terapêuticos específicos, é possível fortalecer a musculatura do assoalho pélvico (ventre), o que é essencial para a recuperação do controle voluntário sobre a eliminação ou retenção da urina.
O médico Roberto Marins de Carvalho, urologista do Centro de Estudos e Pesquisa em Saúde (Ceps) da Universidade do Sagrado Coração (USC) de Bauru, explica que os músculos da pelve têm papel fundamental sobre o aparelho urinário.
Além de manter os órgãos internos na posição adequada, eles dão suporte para o funcionamento dos esfíncteres (válvulas que controlam a retenção e eliminação da urina e das fezes). “Quando você tosse, por exemplo, o ar exerce uma pressão de cima para baixo na bexiga e os músculos da pelve exercem uma pressão contrária para reter a urina. Se esses músculos estão fracos, a pressão de cima é maior e a pessoa tem perda involuntária da urina”, descreve.
A incontinência urinária pode ser causada por diversos fatores, que vão desde infecções até complicações cirúrgicas. O tratamento vai depender do fator que origina a disfunção e pode ser medicamentoso ou cirúrgico. Mas a maioria dos casos ocorre mesmo por enfraquecimento dos músculos pélvicos. Para esses pacientes, a fisioterapia tem se mostrado uma ótima opção.
É o caso da dona de casa de 61 anos, que faz tratamento na Clínica de Fisioterapia da USC há cerca de seis meses. Ela conta que já não saía mais de casa sem colocar um absorvente ou um fraldão. “Em apenas dois meses, eu já percebi uma grande melhora. O tratamento continua, mas hoje já não perco mais urina como antes. É muito raro acontecer”, afirma a paciente, cujo nome será omitido a pedido da universidade.
A proposta do tratamento é submeter o paciente a exercícios terapêuticos que o ajudem a reconhecer e tonificar os músculos responsáveis pela sustentação do trato urinário. Para isso, a fisioterapia usa técnicas de cinesioterapia (por meio de movimentos de contração e relaxamento) e eletroestimulação (por meio de choques suaves no canal vaginal). O tratamento dura, em média, 20 sessões.
“A maioria das pessoas pensa que a única solução para a incontinência é a cirurgia e, por isso, prefere conviver com ela. Só que a perda de urina faz a pessoa se isolar do convívio social, além de causar prejuízos à auto-estima e mesmo depressão - por uma coisa que pode ser facilmente tratada e controlada. Por isso, é muito importante procurar um médico”, orienta o urologista.