Assim como a doação de sangue comum, a doação de sangue de cordão umbilical segue critérios bem rígidos. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), a gestante deve ter entre 18 e 36 anos, ter feito pelo menos duas consultas de pré-natal, estar com idade gestacional acima de 35 semanas no momento do parto e não ter histórico de câncer ou doenças no sangue.
Após o nascimento, o cordão umbilical é lacrado com pinças e separado do bebê, cortando a ligação entre ele e a placenta. A quantidade de sangue (cerca de 70-100 mililitros) que permanece no cordão e na placenta é drenada para uma bolsa de coleta. Em seguida, já no laboratório de processamento, as células-tronco são separadas e preparadas para o congelamento.
Segundo o Inca, essas células podem permanecer armazenadas sob congelamento por vários anos. A principal vantagem desse procedimento é que as células do cordão estarão imediatamente disponíveis quando alguém precisar delas. Não será preciso localizar o doador e submetê-lo à retirada, como ocorre com a medula óssea.
A doação do sangue de cordão umbilical não representa qualquer risco para a mãe ou o bebê. O Inca ressalta que antes da descoberta dessas células-tronco em cordões, tanto a placenta quanto o sangue que fica armazenado nela eram jogados no lixo.
Mesmo assim, a doação para bancos de sangue públicos tem de ser voluntária e é absolutamente confidencial. Quando o sangue é transplantado para um paciente, nenhuma troca de informações é permitida entre doadores e receptores.
Após a doação, as bolsas de sangue recebem um número deixam de constar o nome da gestante. A unidade é levada para um laboratório, onde passará por diversas etapas. Inicialmente, segundo o Inca, é feita uma contagem do número de células-tronco. Se essa quantidade é suficiente para um transplante, a unidade é processada congelada. Mas só é liberada para utilização depois que os resultados de exames da mãe do bebê garantem que não há risco de contaminações.
Apesar de promissor, o armazenamento de células-tronco de cordão umbilical é considerado difícil, justamente pela pequena quantidade de sangue extraída de cada nascimento. Isso reduz a possibilidade de utilização de um único cordão em pacientes adultos ou de maior peso.
No ano passado, o Ministério da Saúde criou o Brasilcord, uma rede pública de bancos de sangue de cordão umbilical, uma reivindicação da Sociedade Brasileira de Transplante de Medula Óssea desde 2001. Atualmente, o País conta quatro serviços de coleta, no Rio de Janeiro, São Paulo (Capital), Campinas e Ribeirão Preto e a idéia é credenciar mais unidades.