08 de julho de 2026
Saúde

Síndrome de Down: Brasil dribla preconceito

Por Da Redação | Com Agência Saúde
| Tempo de leitura: 2 min

Um drible no preconceito. Foi o que fez o jogador Romário em seu jogo de despedida da Seleção Brasileira de Futebol, há algumas semanas, ao dedicar seu gol à filha Ivy. A novidade é que ele assumiu publicamente que a menina é portadora da síndrome de Down, definindo a chegada da filha como uma dádiva.

A iniciativa do jogador, somada a uma campanha publicitária que vinha sendo veiculada no País, mostra o esforço que a sociedade tem feito para abolir de vez o preconceito em relação à síndrome.

Ao contrário do que muitos pensam, a síndrome de Down não é uma doença, nem resultado de complicações da gravidez. É uma alteração genética, que pode ocorrer em qualquer família, com pessoas de qualquer raça ou classe social. A única relação reconhecida é a idade materna: 80% das crianças com a síndrome nasceram de mães com mais de 35 anos.

A alteração é caracterizada pela presença de um cromossomo a mais que o normal. Cromossomos são estruturas minúsculas que contêm o código genético humano, responsável pela definição das funções das células. Normalmente, as células humanas possuem 23 pares dessas estruturas (46 cromossomos). Pessoas com síndrome de Down apresentam 47 cromossomos.

Esse excesso de material genético causa diversas alterações no organismo. Em geral, crianças com a síndrome são menores que as demais, têm mãos, boca e pés pequenos, orelhas ligeiramente menores, achatamento da parte de trás da cabeça e do nariz, entre outras características peculiares.

Na maior parte dos casos, a alteração vem acompanhada de retardo mental, que pode variar de leve a grave. De acordo com o Ministério da Saúde, estima-se que 15% a 20% da população tenha alguma deficiência. Desse total, metade apresenta um comprometimento intelectual, onde se enquadra a síndrome de Down. Segundo a Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down, cerca de 8 mil bebês nascem por ano no Brasil com a alteração genética.

A ultra-sonografia, o exame de sangue e a dosagem de hormônios durante a gravidez podem revelar indícios da síndrome no bebê. Obtém-se a confirmação por meio da biópsia da placenta ou da coleta do líquido amniótico.

Vida normal

Apesar de não ter cura, a síndrome não impede que seu portador desenvolva atividades físicas, sociais e intelectuais. Pelo contrário, os médicos argumentam que quanto mais estimulada, melhores serão as chances da pessoa com Down integrar-se à sociedade.

É nisso que trabalham as entidades como as Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apaes) e as Sociedades Pestalozzi. Atualmente, cerca de 2 mil Apaes funcionam no País, oferecendo atendimento a 230 mil pessoas. Além de tratar e manter atividades de estímulo ao desenvolvimento, essas entidades promovem qualificação e inclusão dos jovens ao mercadode trabalho, garantindo-lhes autonomia.