09 de julho de 2026
JC Criança

Hoje tem diversão e muita palhaçada no circo

Roberta Mathias
| Tempo de leitura: 6 min

Bauru recebe desde janeiro o Real Argentino Circus, que está visitando os bairros da cidade com um espetáculo recheado de números alegres e emocionantes. O interessante deste circo é que fica instalado um período em cada região da cidade, uma forma de permitir que mais pessoas assistam ao espetáculo. A idéia do proprietário do Real Argentino Circus, Mário César Veschi, foi reunir famílias circenses em uma grande companhia e seguir para onde os grandes circos não vão. “É um circo sem animais, mas com grandes artistas que já passaram por circos como Beto Carrero, Spacial, Circo de Roma, Circo de Portugal, Gacia.”

O circense Basílio Munhoz, que já fez quase tudo em circo e atualmente apresenta o espetáculo, explica que os grandes circos ficam concentrados em áreas centrais, com uma estrutura grande e preços mais altos. “Não é todo mundo que pode ir. Agora, aqui, nós temos números com a mesma qualidade, mas com uma estrutura menor, o que permite a instalação em espaços menores e preços acessíveis.”

Bauru é a primeira cidade a receber o Real Argentino Circus, que ficará tempo suficiente para visitar ainda o Distrito Industrial 2, a Vila Souto e o Jardim Coralina. “Nosso circo é uma grande família”, acrescenta Basílio. O chileno Rodrigo Ivan Munhoz Martinez, palhaço Chokito, também faz parte do Real Argentino Circus e já leva ao palco o filho Chokitinho. “Foi engraçado, o Charutinho (artista circense de Bauru) assistiu e falou: ‘Mas você está imitando o Chokito, do Beto Carrero’. Aí eu disse, mas eu sou o Chokito!”

Basílio conta que ao chegar na cidade é um pouco difícil, pois as pessoas ainda não conhecem. “Depois eles perguntam se é o mesmo circo que estava em tal bairro.” Ele comenta que a estréia desse formato em Bauru tem sido muito positiva. “Estamos contentes, a Prefeitura tem liberado todos os terrenos que solicitamos. Claro que pagamos todas as taxas, alvarás, água, e também tivemos o apoio das polícias militar, civil e rodoviária. Isso não é muito comum”, acrescenta.

Veschi promete para a cidade o espetáculo de inauguração da nova estrutura. “Encomendamos uma nova lona, maior, que deve chegar nos próximos 15 dias e queremos estreá-la na cidade. Só não é certo em qual bairro.” Chokito também acrescenta o cuidado com o figurino. “Nossa roupa é de primeira qualidade, pois nossa maior preocupação é fazer o melhor para agradar ao público.”

Platéia pede bis

Instalado próximo à ponte do córrego do Barreirinho, no acesso aos bairros Beija-flor, Santa Luzia e Mary Dota, o Real Circus Argentino encanta as crianças desde o primeiro dia. Quando começou a montar sua estrutura, em uma terça-feira (dia 10), as crianças e jovens da região observavam atentos a cada etapa. “Eu ficava assistindo do campinho, a turma montar o circo. É uma estrutura grande, difícil. Muitos homens puxando cordas para levantar a lona”, recorda Laerte Diman Júnior, 10 anos, que assistiu a quatro apresentações. “Gostei muito do engolidor de fogo. O legal é que é barato e perto de casa. Meu avô que me deu o dinheiro.”

A Camila Cristina do Amaral Silva, 10 anos, amou os palhaços Vareta e Chokito. “Eles são muito engraçados. Já assisti o espetáculo três vezes. Tem que aproveitar, porque é muito raro ter circo na cidade, principalmente no bairro.” O Juliano da Costa Mariano, 12 anos, concorda. “Eu assisti todas as apresentações desde que o circo chegou. Fiquei pedindo dinheiro para minha mãe e voltei todos os dias. Antes tinha um circo aqui no nosso bairro, o Anahí, minha mãe conta que era muito legal. Ainda tem os traillers deles lá. Eu gostei muito do Táxi Maluco.” Outro que insistiu para voltar ao circo foi o Fernando Henrique de Oliveira do Nascimento, 12 anos. “Ganhei dinheiro da minha mãe e da minha tia. Esta (quarta-feira passada) é a quinta vez que venho. O Táxi Maluco é muito legal.”

Aliás, os palhaços Chokito, Chokitinho, Vareta, Bochecha e Bochecinha fazem muito sucesso entre a garotada. Em um Táxi Maluco, eles conseguem fazer gente grande e pequena cair na gargalhada. A Flávia Ingrid Silva dos Anjos, 11 anos, achou o circo lindo. “Tem malabarista, equilibrista, trapézio e um menino de seis anos que faz malabarismo. Adorei também os palhaços.”

O Gabriel dos Santos Moraes, 10 anos, foi três vezes. “Eu gostei muito do malabarista Jhonatan. Eu nunca conseguiria fazer aquilo.” O Guilherme Domingos Gueiros, 10 anos, foi duas vezes e adorou. “Eu gosto muito de circo. Gostaria que tivesse mais vezes, é muito legal”.

“A sessão é bem comprida, tem um intervalo para a gente comprar pipoca. Vale a pena. Eu já vi quatro vezes e adorei os palhaços”, diz Marcos Gabriel Pereira, 10 anos. A Isabelly dos Santos Gomes, 10 anos, levou sua prima Drielly dos Santos Seleguin de Oliveira, 5 anos, por duas vezes. “Eu gostei muito do Homem-Aranha”, conta Isabelly. “Eu gostei da Estrelinha, uma moça que gira lá no alto”, conta Drielly. Outra que curtiu muito a Estrelinha foi a Isabele Cristina dos Santos, 9 anos. “Ela fica girando no ar, é muito bonito.” A Isabele foi três vezes acompanhada pela avó Ivani Prado de Oliveira, 65 anos.

Primeira vez

A Tamires Alves Bonfim, 8 anos, foi ao circo pela primeira vez com o irmão João Lucas, 2 anos, e a mamãe Eliane. Elas estavam na fila para a compra dos ingressos. “Eu estou com muita vontade, acho que vai ser legal. Meus amigos foram e eu fiquei curiosa”, diz. A mãe Eliane relembra os tempos de criança. “Há muito tempo não assisto um espetáculo. Acho que tô mais empolgada que as crianças”, brinca.

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Vida de criança

O Jhonatan Masson é malabarista. Ele começou aos cinco anos e pratica todos os dias para conseguir melhorar seu número a cada dia. “Eu comecei a aprender com o meu pai, mas foi meu avô, que era de grande circo, que me ensinou mais.” Como toda criança, Jhonatan vai à escola e agrada os novos amiguinhos por onde passa, com suas histórias e técnicas circenses. “Eu nasci em Santarém, no Pará, e já visitei muitas cidades do Brasil e até da Bolívia. A vida no circo é muito boa. A gente brinca bastante.”

Jhonatan conta que em cada cidade freqüenta uma escola diferente. “Tem escola que você aprende uma coisa, aí muda de cidade e já aprende outra. Eu tenho vários cadernos.” Em seu número, Jhonatan faz malabares com dois tipos de clave, bolinhas na caçapa, chapéu e aros. “O mais difícil é fazer com os cinco aros, mas já estou praticando para fazer com seis.”

O pequeno palhaço Vitor Kevin Rodrigo Munhoz Munhoz (é assim mesmo, repetido), é o Chokitinho, personagem que aprendeu com o pai, o palhaço Chokito. “Eu não acho difícil, as pessoas se divertem.” Com a naturalidade de quem conhece bem o circo, Chokitinho é gracioso e se transforma ao entrar no picadeiro. A criançada adora os números cômicos.