09 de julho de 2026
Polícia

Mandado de prisão acha 'morto' vivo

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

Ao cumprir um mandado de prisão por furto, ontem em Bauru, policiais militares da Força Tática descobriram que o condenado, o pintor Moisés Alves, 43 anos, encontrado na casa de sua família, no Parque Santa Edwirges, estava oficialmente morto. Em maio de 2003, a mãe de Alves, Catarina Marques Alves, 78 anos, reconheceu o corpo de um rapaz morto atropelado próximo a Agudos como o do seu filho.

A partir do reconhecimento, o corpo foi velado pela família, enterrado no Cemitério do Redentor e expedido atestado de óbito. Mas neste ano, Alves, que segundo a família tem problemas psiquiátricos e é andarilho, reapareceu. “Nós levamos um susto quando ele apareceu. Minha mãe teve que tomar calmante. Ela quase caiu de costas”, conta Jeremias Alves, 35 anos, irmão de Moisés.

Ao ouvir a história da família, de que Moisés foi confundido com outra pessoa morta, e como contra ele havia um mandado de prisão, os policiais o encaminharam para a Delegacia de Investigações Gerais (DIG). “Registramos um boletim de ocorrência de captura de procurado e de averiguação de falsa identidade. Ele (Alves) vai para a Cadeia de Avaí e será apurado quem foi enterrado como se fosse ele e se houve má-fé no reconhecimento”, explica o delegado J.J. Cardia, titular da DIG.

O reconhecimento do corpo, lembra Cardia, foi feito cinco dias após a morte. No dia 23 de maio de 2003 foi registrado boletim de ocorrência em Agudos relatando a morte de um rapaz, que não portava documento, vítima de atropelamento na rodovia Marechal Rondon. “O corpo ficou no IML (Instituto Médico Legal) para reconhecimento por vários dias”, ressalta Cardia.

No dia 28 de maio de 2003, cinco dias depois da morte da vítima de atropelamento, Gumercindo Alves, irmão de Moisés, viu o corpo e o reconheceu como sendo de seu irmão. Em seguida, Catarina também reconheceu o corpo como de seu filho. No auto de reconhecimento registrado na época, ela relatou que o filho era alcoólatra, andarilho, sofria problemas psiquiátricos e estava desaparecido desde junho do ano anterior, quando saiu de casa carregando uma trouxa de roupas e dizendo que iria para o Rio de Janeiro.

Ainda no documento, Catarina registrou que Moisés já havia ficado três anos sem dar notícia e que, ao saber pela imprensa que um rapaz morreu atropelado próximo a Agudos, suspeitou tratar-se de seu filho. “Quem morreu era muito parecido com meu irmão. A cor, altura, tudo”, garante Jeremias, frisando que, na época, a família não teve dúvidas sobre a identidade do morto.

Quando Moisés reapareceu, apesar de estar diferente fisicamente, todos ficaram surpresos. “A gente disse que ele estava morto, que teve enterro e tudo, e ele disse que nós é que estávamos louco”, conta Jeremias. Porém, ninguém da família procurou a polícia para esclarecer o caso. A mãe de Moisés disse ao delegado que tem problemas de saúde, o que dificultaria sua saída de casa para esclarecer a situação de seu filho.

O sargento Edilson Neves da Silva, da Força Tática, que conduziu Alves à DIG, também ficou surpreso com a história. “Nunca tinha ocorrido de ir cumprir um mandado de prisão e o condenado estar oficialmente morto”, diz. O mandado de prisão contra Moisés foi expedido neste ano, por furto qualificado ocorrido em Bauru antes dele ser considerado morto.