Aparício Torelly, o sutil Barão de Itararé, era vereador pelo Partido Comunista no Rio, logo depois da redemocratização de 45, quando Dutra, através do Superior Tribunal Eleitoral, fechou o PCB e cassou todos os seus mandatos, houve sessões de despedida no Senado, onde estava Luis Carlos Prestes; na Câmara Federal onde estavam Marighela, Jorge Amado e outros e em todas as assembléias e câmaras municipais onde havia comunistas.
No Rio, a bancada do PCB era a maior, liderada pelo bravo e saudoso Agildo Barata. Um a um, a começar de Agildo, foram todos à tribuna protestar contra a violência da cassação. O último foi o Barão. Subiu, olhou longamente o plenário e as galerias superlotadas, passou a mão na barba, ainda não tão longa nem tão branca, e disse apenas:
- Senhor presidente, senhores vereadores, senhoras e senhores das galerias, neste momento deixo a vida pública para me recolher à privada.
E desceu. A gargalhada durou cinco minutos...
Lida em Sebastião Nery e encaminhada por Antonio Pedroso Júnior