11 de julho de 2026
Cultura

"Concurso Mães & Filhos - A melhor história do nosso mundo"


| Tempo de leitura: 2 min

A prova do verdadeiro amor de mãe

A minha história começa em 1990, época da Copa do Mundo, em que eu tinha apenas três aninhos de idade e, sendo de uma família muito religiosa, mamãe acostumava me levar aos domingos à noite às missas da Paróquia Santa Maria de Piratininga.

Neste domingo, de início de inverno, a igreja estava lotada e o padre começou a missa como de costume. Logo já aparentava estar irrequieta, olhava as pessoas ao meu redor, as vidraças coloridas da janela, mas nada me prendia a atenção. Mamãe me pôs sentada no banco, enquanto ela acompanhava a missa pelo folheto junto de papai.

O tempo passava devagar e eu, como qualquer criança, não conseguia ficar quieta um só instante. Então, resolvi começar a cantar bem baixinho uma das músicas de Leandro e Leonardo, que fazia sucesso naquela época. O problema é que eu só sabia o refrão e quando mamãe notou a minha voz no silêncio da igreja, eu já levei uma bronca. Porém, não parei por aí e resolvi achar outra maneira de passar o tempo. Saí do meu lugar e fiquei dando voltas pelos corredores laterais da igreja. Outra vez, mamãe se irritou comigo, me pegou no colo e me colocou sentada novamente no banco.

Percebi que não havia nada a fazer, então observei que no forro da igreja havia um buraquinho e fiquei imaginando o que pudesse ter lá. Na hora da homilia, tinha o pensamento distante, mas uma única coisa me chamou a atenção, o padre falou sobre a vitória do Brasil num dos jogos da Copa do Mundo. Naquele momento, lembrei-me da imagem do gol do Brasil no último jogo e da narração de Galvão Bueno na TV. De repente, levantei-me e, quando todos estavam em silêncio prestando atenção nas palavras do padre, eu gritei bem alto: “Goool, do Brasil!!!”.

Aquilo foi motivo de riso de toda a igreja que achou a minha atitude engraçada, apesar das palavras erradas. Olhei para mamãe. Ela estava vermelha de vergonha e, quando pensei que ela fosse me dar mais uma bronca, ela me olhou serenamente e me beijou. Logo percebi que, por mais que eu fizesse travessuras de criança levada, mamãe sempre me amaria e nunca teria vergonha de expressar o seu amor por mim a todas as pessoas.

Aquele ano, mesmo que o Brasil não tenha se tornado tetracampeão, eu recebi o presente mais importante da minha vida, a prova do verdadeiro amor de mãe.