A procedência da faca de cozinha utilizada por Arlindo Lopes da Conceição ainda é uma incógnita tanto para a direção da Sociedade de Proteção à Velhice Lar Padre Jeremias quanto para a polícia. Mas o modo como ela foi parar nas mãos do idoso será investigado, informa o delegado titular da delegacia de Regionópolis, Adriano Joaquim Guedes Cres.
No entanto, informações extra-oficiais obtidas junto ao asilo dão conta de que o aposentado teria comprado o utensílio com 25 centímetros de lâmina recentemente, talvez nesta semana. “A gente não tinha conhecimento. Sempre que aparece (facão de arroz ou machadinha com algum asilado) a gente retira. Quando não querem entregar, acionamos a Polícia Militar. Eles têm o dinheirinho deles da aposentadoria (e podem sair para fazer compras)”, informa a presidente da instituição filantrópica, Maria Guiomar Garcia Veloso.
De acordo com ela, o asilo atende 27 idosos, sendo que cinco são acamados. Seis funcionários contratados, excluindo os colaboradores, prestam assistência aos internos e mantêm os 27 cômodos da instituição. “Eles têm terapia ocupacional, são acompanhados a todo momento. Foi tudo muito rápido, não deu para evitar”, diz a presidente. A afirmação dela vem em resposta aos questionamentos da família de Mário Sartori.
“Teria que ter uma pessoa olhando. Eles são responsáveis (pelos idosos). Ele (Mário) era um coitado, não tinha boca para nada”, diz o concunhado Miguel Carriel, gerente de uma fazendo da fazenda. O filho dele, Valdecir, conta que a vítima não tinha filhos e que a esposa, também moradora do asilo, morreu há menos de um ano.
“Ficamos chocados. Já é triste uma morte normal. Ontem (anteontem), eu passei por aqui e o vi varrendo a rua. Quando me contaram, achei que era brincadeira”, conclui. No entanto, de acordo com a Sociedade de Proteção à Velhice Lar Padre Jeremias, a família de ambos não os visitavam frequentemente. Ontem, até o final da tarde, a polícia ainda não tinha conseguido contatar a filha de Conceição.
Mesmo assim, afirma Cres, se ficar contatada negligência por parte dos funcionários, eles também poderão responder pelo crime pela forma culposa, ou seja, mesmo sem intenção.
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‘Brincadeira’
Brincadeira. Foi desta maneira que todos os moradores de Reginópolis consultados pela reportagem receberam a informação de que havia ocorrido um homicídio na cidade e justamente no asilo. “Eu não acreditei. Nunca ouvi falar de uma pessoa matar a outra por aqui. Achei que fosse brincadeira”, reitera a dona de casa Ana Paula Luciano.
Ela conversava com a colega Ivone dos Santos Osviano justamente sobre o caso, quando foi abordada pela reportagem, logo da entrada da cidade. “Todo mundo já está sabendo. Imaginamos que fosse mentira e fomos perguntar para uns homens da prefeitura. Eles confirmaram. É de se admirar”, acrescenta Osviano. A reação dela foi idêntica a dos vizinhos do asilo José e Alexandro Mazzetto.
O caso surpreendeu inclusive o sargento Marcelo Rodolfo Corce, comandante do 3.º Pelotão da Polícia Militar. No entanto, ele e o delegado titular da delegacia da cidade Adriano Joaquim Guedes Cres ressaltam que a cidade é tranqüila. “Ocorrências criminais desse porte são raríssimas. A maioria dos casos (de registro) é por lesão corporal e ameaça”, explica o delegado.
Mas a última ocorrência grave da cidade também envolveu uma idosa, que teve R$ 13 mil roubados por dois rapazes de Bauru.