08 de julho de 2026
Regional

Macatuba fornece DNA para 'Caminho de Volta'

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 3 min

Macatuba - Duas gotas de sangue podem ajudar o trabalhador rural Tiago Santana Bernardes, 18 anos, a reencontrar o irmão Daniel Fernando Serra, 15 anos, desaparecido desde o dia 12 deste mês em Macatuba (46 quilômetros a sudeste de Bauru). Serra pode ser a primeira pessoa a ser localizada através do projeto Caminho de Volta, no Interior do Estado de São Paulo. O projeto visa identificar pessoas com uso da tecnologia de comparação do DNA e foi implantado na região de Bauru há 13 dias.

Bernardes colheu sangue ontem. O material abastecerá de informação o banco de dados genéticos (DNA) da Faculdade de Medicina da USP, em São Paulo, e será consultado para se estabelecer relação de parentesco com alguém encontrado com as características do desaparecido. O biólogo-geneticista da USP-Bauru, Esiquiel de Miranda, ressalta que expedirá um pedido para a Polícia Civil de Londrina solicitando a coleta de sangue da mãe de Serra, Márcia Santana.

O adolescente deixou a casa do irmão em Macatuba no dia 12 deste mês sem informar seu destino e desde então os familiares não tiveram mais notícia. A esposa de Bernardes, Juliana Lima Braga, 18 anos, registrou o desaparecimento do adolescente no dia 16 na delegacia de Macatuba.

De acordo com o lavrador, o irmão residia há apenas um mês em sua casa. Antes, morava com a mãe em Londrina. Bernardes pediu para a mãe encaminhar o adolescente, agora desaparecido, para morar com ele em Macatuba. Segundo seu relato, assim como já ocorria em Londrina, Serra estaria causando alguns problemas, o que levou a uma discussão com a cunhada. Logo depois ele saiu de casa sem os documentos.

No dia do desaparecimento, o adolescente vestia uma bermuda verde, camisa branca e azul e tênis preto e vermelho. Ele é branco, tem cabelos curtos, aproximadamente 1,70 metro de altura, olhos castanhos escuros e cabelos castanhos claros. Bernardes diz que o irmão não conhecia pessoas na região. Ele acrescenta que Serra teria dois destinos possíveis: ou retornar para Londrina ou ir para o município de Santa Izabel, próximo a Guarulhos (SP), onde reside uma avó, Marisa do Carmo.

Além da coleta espontânea de sangue, Bernardes preencheu uma ficha do projeto Caminho de Volta. Ele foi entrevistado pelo escrivão e psicólogo da Polícia Civil, Miguel Jerônimo Santos. Esses dados e mais a cópia do boletim de ocorrência serão encaminhados para subsidiar a coleta de material genético da mãe em Londrina.

O projeto Caminho de Volta foi implantado em São Paulo em setembro do ano passado numa parceria da Secretaria de Segurança Pública com a Universidade de São Paulo. Foi expandido em abril para São José dos Campos - área do Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo-Interior (Deinter-1). Neste mês, foi a vez da Deinter-4, que inclui as delegacias seccionais de Bauru, Lins, Assis, Jaú, Marília, Tupã e Ourinhos.

Ontem, a coleta de material genético em Macatuba foi coordenada pela delegada assistente da Seccional de Bauru, Cláudia Garmes Armani, e o delegado da Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise-Bauru), José Henrique Gomes dos Santos, junto com o biólogo-geneticista Esiquiel de Miranda. O delegado titular de Macatuba, João José Dutra, deu apoio ao trabalho. Ainda integram o projeto Caminho de Volta as delegacias da Defesa da Mulher, de Investigações Gerais (DIG/Garra) e Infância e Juventude (Diju).