08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Foi leishmaniose, sim


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Ao ouvir do médico que estava com leishmaniose e que isso já tinha uns dois anos, o Fernando, que gostava de escrever textos e poesias diversos e principalmente sobre o que sentia, deixou em seu último caderno estes versos:

“EPIDEMIA Não quero morrer de leishmaniose Porque essa morte seria inglória Morrer na batalha Morrer na missão Morrer na prisão Já me bastava Para que minha morte fosse gloriosa Mas, morrer de doença tropical Tombar diante de tão ridículo mal Sr. prefeito, eu não nasci pra isso Atue com pressa Salve muitas vidas Quem sabe dê tempo De salvar a minha.”

Nessa época, há cerca de 40 dias atrás, começaram a surgir na TV e jornais várias matérias sobre o assunto, que até então era comentado raramente. E eu fui chamada a esclarecer sobre os fatos ocorridos mas, para surpresa minha, começaram a colocar dúvidas sobre as certezas (por quê?).

Embora diversas provas existam e apesar do estado do Fernando quando de seu falecimento, tiveram a coragem de não mencionar a leishmaniose em seu atestado de óbito, mesmo estando relacionada entre todas as causas na declaração fornecida pelo hospital. Isto feito, não entraria para a estatística de casos de morte por leishmaniose, o que muito deve interessar às pessoas que podem ser prejudicadas em seus cargos e interesses.

Ora, quando de uma formatura, em qualquer profissão ou posse de um cargo que decide sobre a vida dos que se representa, faz-se juramentos de conduta ilibada.

Quando não se cumpre, ou quando não se tem a nobreza de admitir erros ou ineficiência, e dá-se voltas para que não se perceba os problemas, tudo se transforma em indecência, traduzida em atos que se acha que ninguém os entenderá suspeitos.

Mas saibam que um dia os privilégios se vão, as oportunidades terminam e só sobram lembranças boas e más. E muitos cidadãos usarão, na hora de votar, a justiça ou a injustiça de que foram informados ou participantes.

Ana Maria Lellis Krupelis - RG 5.706.855-0