10 de julho de 2026
Pesca & Lazer

História de pescador: Registrando a pescaria


| Tempo de leitura: 3 min

“Não consigo ficar longe deste delicioso caderno por muito tempo. As lembranças dos momentos mágicos de pescarias inesquecíveis (todas) afloram à mente ávida de aventuras deste apaixonado por peixe, resultando em narrativas memoráveis, para o deleite da imensa legião de leitores.

Confesso que não é preciso muito esforço em transportar para o papel os mais inusitados fatos ocorridos em pescarias. Eles acontecem sempre e da maneira mais espetacular. As vítimas, ou melhor, as personagens, são sempre amigos ou conhecidos. Vejam o que aconteceu com meu amigo e companheiro de Banespa, Everi Carlos Carrara. Nem se faz necessário dizer que o domingo estava ensolarado, pois se chovendo estivesse, ele não teria ido ao pesqueiro Pé no Chão, em Bauru.

Acompanhado de seu filho mais novo, o Luís César, o companheiro Everi vislumbrava os raios de sol refletindo na água dos tanques naquela manhã magnífica! Varas armadas, protegidos do sol sob imensos ‘sombreros’ seus olhares estavam fixados nas linhas esticadas; tudo era ansiedade e expectativa. Não esqueceram da máquina fotográfica - uma poderosa digital importada - que seria a testemunha maior do que estava para acontecer.

Um puxão, dois... ‘Fisga pai! Esse é grande!’ E era. Afoita e desesperadamente, Everi sustentava o peso enorme da linha que corria de um lado para o outro na água. Antes mesmo de lembrar do ‘puçá’ para garantir a retirada do peixe do lago, o pai, visivelmente emocionado, pede ao filho: ‘A máquina César, pega a máquina!’ Afinal, pela força com que puxava, aquele seria um troféu enorme e, na imaginação do Everi, daria uma foto e tanto...

Não deu. Depois de alguma luta, para a festa do pescador urbano, o peixe se entregara. É um pintado! É um pintado! Suspenso perigosamente pela linha, pouco se batia aquele espécime conhecido cientificamente pelo nome de ‘pseudoplatystoma fasciatum’ (é bem mais fácil chamá-lo de ‘pintadinho’; fica mais íntimo, não é mesmo?). ‘Bate logo a foto que está pesado!’, ecoava a voz do Everi por todo o pesqueiro!

César, fotógrafo amador, com a câmara em punho utilizando o ‘zoom’ daquele moderno equipamento, trazia para bem perto aquele peixão que crescia assustadoramente aos seus olhos. Cresceu tanto que o susto o fez tropeçar, levando um ‘tombaço’ às margens do tanque! A máquina escapuliu-lhe das mãos, mergulhando na água! No mesmo instante, o pintadinho que já estava ficando amigo do Everi, para desespero deste, num movimento próprio dos peixes de couro, livrou-se do anzol e ‘tchigummmm’ dentro d’água! Coitado do Everi!

Coração batendo a mil, não sabia se socorria o César caído ao solo ou se tentava pegar a máquina fotográfica cujo cordão desaparecia lentamente ali pertinho dele, na superfície do tanque.

Que prejuízo! Que confusão! Passado o susto, lamentando pela perda do peixe e da máquina, trataram de fazer uma varredura no fundo do lago, contando com a ajuda de todos os pescadores do local. Era linha e anzol pra tudo quanto era lado, puxando, puxando... Pesca solidária... Quanta colaboração!

Concentrados na árdua tarefa de recuperar a ‘digital’, nem perceberam que um senhor do outro lado vibrava com sua fisgada mortal, tirando da água um enorme tucunaré! Everi fez cara de poucos amigos e César fingiu que não viu, torcendo no seu íntimo para que aquele peixe escapasse. Estavam mesmo decepcionados.

De repente, alegria, sorrisos!!! A máquina fotográfica fora ‘fisgada’ e estava intacta, funcionando. Afinal, algo de bom lhes acontecera. Agora pasmem com o desfecho deste ocorrido. No visor daquela maravilha tecnológica, via-se, nitidamente, um belo tucunaré, fotografado preso à isca artificial, no fundo do tanque. Acontecera pois que, ao cair no tanque, a máquina bateu em uma pedra no fundo, justamente no botão de disparar e, o que é mais fantástico, no exato instante em que aquele senhor puxava seu ‘peixão’, gravando em sua memória (a da máquina), aquele mágico momento! Dá para acreditar?

Tanto dá, que meu amigo Everi cedeu-me a foto para que os queridos leitores não duvidem e possam botar fé. Confiram, graças à tecnologia digital, a foto que complementou aquele episódio, lembrado como ‘O milagre do Pé no Chão’ (ou na água?!?). ‘Olha o passarinho, digo, olha o peixinho’!!!”

Fernando Lucilha Júnior é pescador que está vendendo seu molinete para comprar uma máquina digital