O sol brilhando no dia de Corpus Christi desde o início da manhã possibilitou aos fiéis a preparação e a realização da procissão que saiu da Igreja Santa Teresinha e rumou para a Catedral do Divino Espírito Santo. Cerca de 5 mil católicos acompanharam o evento religioso, que contou com a participação bispo dom Luiz Antonio Guedes e padres das paróquias de Bauru.
Segundo o bispo, o dia de Corpus Christi passou para o calendário da Igreja Católica a partir do século XII. Tradicionalmente, o dia é lembrado na segunda quinta-feira após o Domingo de Pentecostes.
A data celebra solenemente a instituição do Santíssimo Sacramento da Eucarístia. Para a Igreja Católica, a instituição da Eucarístia aconteceu na Quinta-feira Santa, mas a lembrança da morte de Cristo não permite expansões de alegria.
É na solenidade de Corpus Christi que os católicos louvam a presença de Jesus na hóstia consagrada. O trajeto da procissão realizada ontem foi enfeitado com cobertores dos cerca de 2.500 doados por fiéis nas paróquias, que serão encaminhados às famílias carentes da comunidade.
A origem da solenidade do corpo e Sangue de Cristo remonta ao século XII. A Igreja Católica sentiu necessidade de realçar a presença real do “Cristo todo†no pão consagrado. Esta necessidade se aliava ao desejo do homem medieval de “contemplar†as coisas. Surgiu nesta época o costume de elevar a hóstia depois da consagração.
Disseminava-se uma controvertida piedade Eucarística, chegando ao ponto das pessoas irem à igreja mais “verem†a hóstia do que para participarem efetivamente da eucaristia.
A Festa de Corpus Christi foi instituída pelo papa Urbano IV com a Bula ‘Transiturus’ de 11 de agosto de 1264, para ser celebrada na quinta-feira após a Festa da Santíssima Trindade, que acontece no domingo depois de Pentecostes.
O papa Urbano IV foi o cônego Tiago Pantaleão de Troyes, arcediago do Cabido Diocesano de Liège na Bélgica, que recebeu o segredo das visões da freira agostiniana Juliana de Mont Cornillon, que exigiam uma festa da Eucaristia no Ano Litúrgico.
A festa mundial de Corpus Christi foi decretada em 1264, seis anos após a morte de irmã Juliana, em 1258, com 66 anos. Santa Juliana de Mont Cornillon foi canonizada em 1599 pelo Papa Clemente VIII.
O decreto de Urbano IV teve pouca repercussão porque o papa morreu em seguida. Mas se propagou por algumas igrejas, como na diocese de Colônia na Alemanha, onde Corpus Christi é celebrada antes de 1270.
O ofício divino, seus hinos, a seqüência ‘Lauda Sion Salvatorem’ são de Santo Tomás de Aquino (1223-1274), que estudou em Colônia com Santo Alberto Magno.
Corpus Christi tomou seu caráter universal definitivo 50 anos depois de Urbano IV, a partir do século XIV, quando o papa Clemente V, em 1313, confirmou a Bula de Urbano IV nas Constituições Clementinas do Corpus Júris, tornando a Festa da Eucaristia um dever canônico mundial. Em 1317, o Papa João XXII publicou esse Corpus Júris com o dever de levar a eucaristia em procissão pelas vias públicas.
O Concílio de Trento (1545-1563), por causa dos protestantes, da Reforma de Lutero, dos que negavam a presença real de Cristo na eucaristia, fortaleceu o decreto da instituição da Festa de Corpus Christi, obrigando o clero a realizar a procissão eucarística pelas ruas da cidade, como ação de graças pelo dom supremo da Eucaristia e como manifestação pública da fé na presença real de Cristo na eucaristia.