O uso de frases feitas em um texto dissertativo pode torná-lo mais “fraco”, mas, infelizmente, as frases “tudo se transforma, nada se cria” e “a diferença do ser humano em relação aos outros animais é a sua capacidade de modificar e adaptar a natureza para seu maior conforto” se encaixam bem, de certa forma, à proposta de transposição do “velho Chico” (rio São Francisco).
Talvez seja um pouco obscuro entender a ligação da primeira citação com o assunto. Pois bem. Os ecologistas colocam a culpa do desaparecimento de espécies nas ações do homem e, de certa forma, podem ter razão, uma vez que a população humana cresceu e outras desapareceram para se “transformarem” em nós.
Atualmente, existem aproximadamente 6 bilhões de homo sapiens no planeta Terra. Condicioná-los de forma que aproveitem os recursos naturais chega a ser inviável. Fato esse que inspirou o projeto do desvio das águas do São Francisco.
Há, no Brasil, analfabetos, pobres, miseráveis e demais desafortunados que merecem o cuidado do Estado e é nesse ponto que a transposição gera polêmica porque o gasto previsto para a obra é de R$ 4,5 bilhões e nem prevê acabar com a seca para todos os que vivem na região semi-árida.
Tamanho gasto é absurdo para uma obra que não irá resolver o problema de uma vez por todas, mesmo porque o Estado requer investimentos em saúde, educação e segurança. Morrer de sede chega a ser mais humilhante do que viver sem saber ler e escrever, não que isto não seja humilhante, mas o outro fato ofende mais a humanidade.
Podemos e devemos modificar a natureza para melhorarmos a condição de vida do homem e toda sua existência mesmo em detrimento de outras espécies. Lógico, devemos ter o cuidado de não ser os próprios pescadores de nossas águas turvas. Decidido fazer a obra, que seja realizada em uma única vez.
Johann Karl Muller - RG 5.804.149