09 de julho de 2026
Polícia

Feto é achado enterrado em quintal de casa no Jardim TV

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

Acionados por uma moradora do Jardim TV, em Bauru, policiais localizaram um feto humano semi-enterrado no quintal de uma casa do bairro, ontem. Pelo estágio de decomposição, a estimativa da polícia é que o feto estava enterrado no local havia dois dias. Até ontem à tarde, a polícia não havia identificado a mulher que teve o abortamento e quais as circunstâncias - se foi espontâneo ou provocado. É o segundo caso em Bauru neste mês.

A faxineira Erica Patrícia Gonçalves da Silva, 25 anos, conta que estava estendendo roupas no varal ontem pela manhã quando foi alertada por sua filha de 9 anos que o cachorro da vizinha desenterrava algo estranho no quintal. “O cachorro, acho que por causa do cheiro, estava puxando o feto pela cabeça. Minha filha, vendo aquilo, achou que fosse uma boneca. Cheguei perto e vi que era um feto. Fiquei desesperada. Tirei ela de lá e chamei a polícia”, relata.

Policiais da Base Leste foram ao local e constataram tratar-se de um embrião humano. O delegado de plantão ontem à tarde, Eduardo Sganzela, foi à residência e acionou a Polícia Científica para recolher o feto em decomposição para laudo do Instituto Médico Legal (IML) e registrou boletim de ocorrência para averiguação de morte suspeita (aborto).

“Precisamos esperar o laudo do IML, mas como as perninhas já estavam formadas, acreditamos que o feto já tinha de três a quatro meses de gestação”, frisa o delegado. A expectativa é que o IML possa esclarecer se o abortamento ocorreu espontaneamente ou foi provocado.

Paralelamente, a polícia vai instaurar inquérito para tentar identificar a mulher que sofreu o aborto. “Serão ouvidas mulheres da vizinhança para tentar saber se alguém estava grávida e não está mais. Se o aborto foi provocado, a pessoa vai responder inquérito porque isso é crime. E se foi espontâneo, é preciso esclarecer porque foi enterrado no quintal”, comenta.

A dona da casa também está se questionando o porquê o feto foi enterrado em seu quintal. “Acho estranho porque aqui no bairro não faltam terrenos baldios e resolveram enterrá-lo bem no meu quintal. Pode ser alguém que tenha a intenção de me prejudicar”, opina, frisando que não foi ela a mulher que teve o abortamento e está à disposição da polícia e de médicos para esclarecer o caso.

O quintal é murado, com portão de grade de ferro na frente para a rua. A casa de Silva, que mora no local com três filhos pequenos, fica nos fundos do imóvel. No portão há um cadeado, mas a dona da casa lembra que é possível abri-lo acionando o pino localizado na parte inferior, sem necessidade de chave. “Na terça-feira, o vizinho do lado viu que o portão estava aberto quando ele chegou à noite e eu já estava em casa. Acho que foi neste dia que entraram e enterraram. É alguém que sabe como abrir o portão”, comenta.

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Caso anterior

No último dia 11, policiais militares encontraram um feto enterrado no quintal de uma casa no Parque Jaraguá em circunstância semelhantes ao do Jardim TV. Uma moradora do imóvel, uma mulher de 23 anos, já mãe de quatro crianças, disse que teve o abortamento após sofrer uma queda e enterrou o feto no quintal porque ficou com medo da reação de seu padrasto.

A mulher foi encaminhada para atendimento médico e a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) abriu inquérito para apurar o caso. Até quarta-feira, o Instituto Médico Legal (IML) ainda não havia enviado à delegacia o laudo do feto, para tentar esclarecer se o abortamento foi espontâneo, segundo a delegada Marilda Pansonato Pinheiro, da DDM.