Até mesmo os profissionais que ganham a vida por meio da atividade admitem que a função de cobrador/trocador está em extinção. Em cidades como Campinas, Santos e Sorocaba a profissão já está se tornando coisa do passado.
“Em algum tempo isso (o fim da atividade) vai acontecer (em Bauru). Não é para agora e ninguém tem a intenção de acabar com a mão-de-obra. A gente quer reduzir custo”, diz o diretor de transportes da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), Waldomiro Fantini Júnior.
No entanto, um cobrador consultado pela reportagem acredita que já seja hora dos profissionais da área buscarem novo emprego. “Isso (a desoneração do sistema) é desculpa para acabar com a função. Por isso, não concordo com o acordo trabalhista (assinado)”, afirma. Mas segundo Elias Pinheiro da Silva, presidente Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário de Bauru (Sindtran), haverá garantia de emprego por um ano, até o próximo acordo coletivo.
“O sindicato não pode criar a expectativa de que vai ter cobrador eternamente. Desde 1998 estamos combatendo isso (a redução dos profissionais da área). Sou obrigado a admitir que a tecnologia deve diminuir gradativamente as vagas de emprego”, confessa Silva. Segundo ele, para evitar que eles sejam demitidos e depois alguns sejam recontratados como monitores de bordo, com salários inferiores (como teria ocorrido em Campinas), o acordo foi assinado.
“Com o prejuízo das horas extras, o sindicato vai brigar mais pelo tíquete alimentação de R$ 150,00”, explica. Além disso, esclarece Elias, os motoristas que circularão sozinhos receberão adicional de 1% em seus proventos.