A Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) descarta atraso nas linhas em função da ausência dos cobradores. O diretor de transportes da Emdurb, Waldomiro Fantini Júnior, afasta o problema alegando que os horários são calculados a partir de uma situação desfavorável para o motorista. Ou seja, leva-se em conta, por exemplo, que todos os semáforos estejam fechados.
“Além disso, é um horário de baixa demanda e com trânsito muito menor”, diz. Porém, se a previsão da Emdurb for contrariada, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário de Bauru (Sindtran), Elias Pinheiro da Silva, adverte: o motorista não deve apressar-se para dar o troco. “Se der conta de tudo (dentro do horário), tudo bem. Se não, a empresa que coloque cobrador”, ressalta.
Silva também demonstra preocupação com os profissionais que permanecerão sozinhos no ponto final dos ônibus. “Suspeitou de alguém, procure um orelhão e chame a polícia. Ou então, saia do local (com o veículo)”, recomenda. A Polícia Militar avaliará a situação depois da implementação das medidas.
“Dá medo, mas o que a gente não é capaz de fazer por emprego? O cobrador nos ajuda no trânsito, quando a visão está obstruída. Também nos ajuda com o desembarque. É diferente (por ser maior) de microônibus (que circula pelo município sem cobrador). A gente ainda não passou por treinamento. Como é que vamos fazer quando entrarem pela porta de trás?”, questiona um motorista da linha noturna.
O circular dele, até quarta-feira à noite, ainda não havia sido adaptado com o caixa que será instalado ao lado da direção. “Vai ser difícil controlar (a entrada irregular de usuários), principalmente no Corujão (no ônibus que circula após a meia-noite)”, reitera o usuário Ismael Aparecido Maciel. Porém, tanto o amigo dele Luiz Eduardo da Silva quando a usuária Maria de Lourdes Oliveira acreditam que as mudanças não trarão problemas.
Mas como as opiniões não são unânimes, Rosana Aparecida Cesário lamenta a medida. “Eles (os cobradores) são pais de família. Por enquanto dizem que não vai ter desemprego, mas esse por enquanto tem de estar entre aspas. Do jeito que emprego está difícil, vai ser duro”, conclui.
No momento em que ela estava no ponto de ônibus, o JC acompanhou 11 circulares. Do total, apenas um estava com lotação normal, o restante circulava quase vazio.