Em 1879, o cientista inglês Thomas Edson inventou a primeira lâmpada elétrica. A criação revolucionária popularizou-se nas décadas seguintes, mas não chegou a ser universalizada ainda hoje, em pleno século 21.
Em uma época em que os inventos desenvolvidos pelo homem estão muito além de uma simples lâmpada e se discute a necessidade de democratização de acesso a novas tecnologias, como a Internet, são muitos os brasileiros que vivem no escuro e não fazem uso de um recurso básico como a energia elétrica.
O déficit elétrico brasileiro fez o governo federal lançar em novembro de 2003 o programa Luz para Todos, cujo objetivo é universalizar, até 2008, o acesso à energia elétrica, atendendo famílias da zona rural que ainda não têm acesso a esse serviço público.
Antes do início do programa, a estimativa do governo federal era de que cerca de 10 milhões de brasileiros não contavam com energia. O mapa da exclusão elétrica também apontou que 80% dessas famílias estão localizadas no campo.
Na região, contabilizando os dados de 44 cidades, são 1.050 clientes da zona rural cadastrados no programa. As obras começaram a ser executadas no início deste ano e até a semana passada 469 moradias haviam sido atendidas, segundo a assessoria de imprensa da Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL). Em outros 273 domicílios, as obras de instalação já tiveram início.
A instalação é gratuita para os consumidores atendidos em baixa tensão, o que representa carga instalada de até 50 Kwh/mês. O trabalho estende-se até o interior da casa das famílias, que recebem três pontos de luz e duas tomadas.
Um dos moradores atendidos pelo programa na última semana foi o aposentado Domingos Antônio Torres. Aos 76 anos, ele nunca teve acesso à energia elétrica e comemorou a chegada da “velha tecnologia”, que vai lhe permitir ter uma geladeira e banho quente todos os dias.
Segundo a assessoria de imprensa do Ministério de Minas e Energia, o governo federal repassou R$ 14,2 milhões para obras do programa no Estado, o que representa 22% dos 65 milhões que devem ser liberados para o cumprimento dos contratos em andamento com as empresas de energia elétrica. Coordenado pelo Ministério de Minas e Energia, o programa está sendo desenvolvido em todo o País em parceria com as concessionárias de energia elétrica, cooperativas de eletrificação rural e governos estaduais.
O Luz para Todos está orçado em R$ 7,4 bilhões. Desse total, R$ 5,7 bilhões são recursos federais provenientes de fundos setoriais de energia, como a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) e Reserva Global de Reversão (RGR). O restante dos custos será partilhado entre governos estaduais e agentes do setor. No Estado de São Paulo, de acordo com a coordenadora geral do programa no País, Rosana Rodrigues dos Santos, 75% das verbas são provenientes do governo federal, 10% do governo estadual e 15% das concessionárias de energia elétrica.
Até o último dia 23, 6.139 domicílios rurais foram eletrificados gratuitamente no Estado, segundo a assessoria do Ministério de Minas e Energia. A lei número 10.438, de 2002, determina que até 2015 seja universalizado o serviço público de energia elétrica em todo o País.