08 de julho de 2026
Regional

Família quer aumentar produtividade

Michelle Roxo
| Tempo de leitura: 3 min

Com a chegada da luz elétrica, além do conforto para a família, o lavrador Antônio Martins, 66 anos, quer aumentar a produtividade em sua propriedade agrícola, localizada na zona rural de Agudos.

O primeiro plano é adquirir uma máquina trituradora para preparar a ração dos animais. Com a aquisição de um refrigerador, o lavrador também projeta comercializar leite de vaca. “Eu posso tirar o leite, conservar um dia ou dois, e depois levar na cidade. A energia é uma coisa que ajuda muito”, diz.

O pesquisador Marcelo Aparecido Pelegrini, do Centro de Estudos em Regulação e Qualidade de Energia da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), lembra que a energia elétrica é uma condição para o desenvolvimento da produtividade e aumento da renda do homem do campo. “É uma condição necessária, mas não é suficiente. É preciso também existir meios de assistência técnica, financiamento de produtos e maquinário agrícola. O ideal é que um programa de eletrificação rural seja desenvolvido em conjunto com um programa de desenvolvimento rural”, observa.

Martins, que mora na propriedade há cerca de duas décadas com a esposa, dois filhos e quatro netos, fez o pedido de instalação da rede elétrica há cerca de seis meses. Até a semana passada, aguardava a ligação da Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL).

Enquanto a luz não chega, a dona de casa Lourdes Mendes sonha com o acesso ao reino dos eletrodomésticos. “Eu sinto falta da televisão, ferro elétrico, tanquinho...”, enumera. A geladeira e televisão já estão na casa e aguardam apenas a energia para começar a atender a família.

A falta de luz durante todos esses anos não retirou o ânimo dos moradores do sítio, que costumam se reunir à noite para contar histórias ou jogar cartas com os vizinhos.

“Quando meus filhos vêm para cá ficamos a noite acordados. A gente acende o candeeiro, faz um churrasco debaixo da árvore e fica ali a noite inteira”, diz Martins.

A família do lavrador também passou por muitas situações marcantes ao cair da noite. Sob a luz fraca de lamparinas, Martins já ajudou a mulher a realizar oito partos em casa. O casal tem 13 filhos.

Conta

Apesar de aguardar a energia elétrica com ansiedade, o lavrador Antônio Martins não esconde certa preocupação em relação aos futuros gastos com a conta de luz. “Como será esse preço que a gente vai pagar?”, questiona Martins, lembrando que a renda mensal da família é de cerca de R$ 500,00.

A tarifa do consumidor da área rural é diferenciada, com desconto médio de cerca de 35%. “Esse desconto pode ser um pouco maior ou menor dependendo do Estado”, diz a coordenadora geral do programa Luz para Todos, Rosana Rodrigues dos Santos.

Segundo ela, os consumidores da zona rural que se encaixam no perfil de baixa renda e baixo consumo tem um desconto ainda maior, que pode chegar a 65%.

O pesquisador Marcelo Aparecido Pelegrini lembra que para se tornar acessível a energia precisa ter custo compatível com a capacidade de pagamento da população de baixa renda.