09 de julho de 2026
Regional

Energia melhora qualidade de vida em assentamento

Michelle Roxo
| Tempo de leitura: 3 min

A instalação de energia elétrica no assentamento de Palmares, em Presidente Alves, está melhorando a qualidade de vida de 48 famílias que vivem no local há sete anos. O serviço chegou à comunidade no início deste mês, depois de muitas reivindicações junto ao governo, segundo a moradora Maria da Glória da Silva.

A falta de geladeira para conservar os alimentos, chuveiro quente nos dias de frio, e a dificuldade de se locomover no escuro foram alguns dos problemas apontados pelo grupo no período em que estive excluído do acesso à energia. Muitos dos assentados, inclusive, são provenientes da cidade e já estavam acostumados às possibilidades de conforto trazidas pela rede elétrica. Esse é o caso de Antônio Maria Vasconcelos, 50 anos que aquecia diariamente litros de água no fogão à lenha para poder garantir banho quente à família no assentamento.

“Praticamente, estávamos habituados ao mundo da cidade e quando chegamos aqui, sem energia, foi aquele caos. A molecada e a mulher reclamavam. Eu tive que me virar para dar o mínimo de conforto para a família. Ficava das 6h30 às 8h (da noite) pondo lenha no fogão para todo mundo tomar banho”, relata.

A falta de energia também exigiu sacrifícios da estudante Sônia Ferreira Silva, 17 anos, que em muitas ocasiões teve de realizar os trabalhos escolares à luz de lamparina. Não ter acesso à televisão foi outro motivo de insatisfação para a jovem, assim como para o lavrador Narciso Rodrigues, 65 anos. “A televisão fez falta porque a gente queria ficar por dentro da situação do mundo pelas reportagens”, diz Rodrigues.

O assentado Miguel dos Santos Coqueiro, 48 anos, guarda na lembrança as dificuldades recentes enfrentadas pela família no assentamento, em períodos de chuvas intensas.

“Eu sentia muita falta de energia elétrica nesses momentos. O temporal derrubava a telha, chovia dentro de casa e a lamparina não parava acesa. A gente ficava na maior preocupação”, relembra.

Detalhes

Desde as necessidades mais urgentes aos pequenos detalhes do cotidiano, todos os assentados consultados pela reportagem apontam melhorias com a chegada da luz.

A dona de casa Aparecida Coqueiro, 43 anos, comemora o fato de poder preparar a marmita do marido durante a madrugada com a cozinha iluminada. Já o assentado Jamil Vagner de Oliveira, 53 anos, sente-se satisfeito em poder esquentar o leite para o neto de madrugada, sem tropeços. O prazer de Maria da Glória da Silva está em receber as visitas com a casa iluminada.

“Me alivia muito saber que chega alguém em casa e eu tenho uma luz para acender. Porque a pior coisa que existe é receber uma visita, um parente que tem medo do escuro, em um ambiente sem luz. Outra coisa muito boa é poder levantar à noite e ir no quarto das crianças para ver se estão cobertas sem ter de acender vela ou lamparina”, diz.

Apesar das lâmpadas elétricas estarem espalhadas hoje por toda casa, Maria da Glória afirma que não perdeu o hábito de dormir com um isqueiro ou uma caixa de fósforo debaixo do travesseiro. “Virou um vício”, confessa.

Aldeia

A aldeia Ekeruá, em Avaí, formada há cerca de dois anos, também foi atendida recentemente pelo Programa Luz Para Todos. No início de 2005, todas as casas da comunidade passaram a ter acesso à rede elétrica, de acordo com o cacique Jasoni de Camilo.

Agora, os objetos característicos da cultura indígena disputam espaço nas residências com modernos eletrodomésticos.

“Nós ficamos dois anos sem energia e foi um sofrimento”, diz Elisângela da Silva Pereira, 38 anos. “As crianças escutavam rádio a pilha. Mas eles gostam de ver TV”, completa a índia, que tem cinco filhos.