09 de julho de 2026
Bairros

Semma avalia proposta de turismo em cavernas no poço do Parque União

Michelle Roxo
| Tempo de leitura: 3 min

Uma empresa especializada em mergulho procurou a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) recentemente demonstrando interesse em explorar a atividade no poço situado no bosque do Parque União. A informação é do titular da pasta, Carlos Barbieri. A proposta surge após a descoberta de duas minicavernas submersas no local.

O nome da empresa interessada não foi divulgado pela Semma. Segundo o secretário, nos próximos dias uma reunião deve ser agendada entre associação de moradores do bairro, Semma e outras empresas especializadas em mergulho para avaliação.

“Como são várias empresas que trabalham com mergulho e turismo, elas serão convidadas a participar da reunião”, diz.

De acordo com Barbieri, a idéia é que a área seja adotada pela associação de moradores do bairro, que se tornaria responsável por todo o espaço do bosque. Depois disso, a associação poderia firmar convênio com uma empresa do ramo para a realização de atividades no local.

Na avaliação do secretário, a proposta é viável. Ele destaca que a prática de mergulho seria realizada com os devidos cuidados técnicos e de segurança, além de orientações de profissionais especializados.

“Qualquer atividade de lazer que a gente fizer com segurança e com critérios é melhor do que aterrar a área e destruir um patrimônio natural”, diz.

No poço do Parque União, já foram registras três mortes por afogamento. Os números preocuparam o Corpo de Bombeiros, que recentemente disponibilizou um mergulhador para realizar levantamento sobre as condições de segurança da área. O poço foi considerado perigoso e os bombeiros devem sugerir à prefeitura o assoreamento do local para evitar novos acidentes.

Retorno

Com a exploração turística, o presidente da associação de moradores do Parque União, Antônio Carlos Yamashita, afirma que parte dos lucros seria revertida para a entidade, que investiria na melhoria da infra-estrutura do bosque. “Nós queremos colocar lá, por exemplo, aparelhos para abdominal e outros atrativos para a população”, diz.

Yamashita lembra que o projeto original do bosque, criado no início da década de 90, prevê trilhas dentro e fora da área verde, instalação de churrasqueiras e quadras poliesportivas.

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Bombeiros pedem segurança

Durante o trabalho de mapeamento do poço, realizado pelo Corpo de Bombeiros, foram descobertas duas cavernas submersas, com abertura de cerca de 3 metros quadrados.

O relatório formulado pelos bombeiros apontou que o poço do Parque União é perigoso e cercado de armadilhas”. “Além da profundidade, tem muito enrosco, material cortante, então acaba sendo uma armadilha para quem for utilizá-lo”, diz o major José Guerxes de Aguiar.

Segundo ele, um ofício será encaminhado à prefeitura apontando a necessidade de assorear o local.

“Nós solicitaremos que eles joguem cascalhos, pedras, para assorear o local, se for possível desviar água da mina através de canalização”, diz. No ofício, os bombeiros também devem apontar a necessidade de instalar na área placas de advertência de perigo.

Quanto a proposta do poço ser explorado para mergulho, com os devidos cuidados de segurança e acompanhamento de profissionais, o major afirma que a questão deve ser avaliada com cuidado.

“Se forem feitas inúmeras melhorias, limpeza da área, poderia até ser viável. Mas eles teriam que investir bastante”, destaca.

Na avaliação do tenente Adilson Reis, responsável pelo relatório dos bombeiros sobre o poço do Parque União, a área não seria própria para mergulho. “Em princípio, o local não apresenta condições de segurança. Teria que ser algo que apresentasse bastante segurança para as pessoas que fossem utilizá-lo. Eu acho muito difícil”, diz.