“Se o homem fosse sábio, mediria o verdadeiro valor de qualquer coisa de acordo com a sua utilidade e pertinência em sua vida. Somente o que nos faz sentir melhor Merece ser compreendido.” (Michel de Montaigne).
O brasileiro pode ter o cargo de Superintendente, Médico, Auditor Fiscal, Policial, Procurador da Justiça, Juiz, Promotor Público ou ser um simples trabalhador, não importa, ao denunciar qualquer ato ilícito se tornará vítima de um poderoso esquema muito pior que a mais terrível organização mafiosa.
Todos os anos centenas de brasileiros morrem em razão de emboscadas e atentados cuja finalidade única é emudecer alguma voz que está se erguendo contra um determinado esquema de corrupção, seja no âmbito público ou até privado, embora nesse segmento isso ocorra em menor escala.
O Brasil é definitivamente o paraíso da corrupção, berço célere da impunidade em todos os escalões de sua justiça pífia e atrasada. Somos milhões de honestos lutando para sobreviver e disputando o mesmo espaço que outras milhares de pessoas cuja “Lei de Gerson” é a única referência em suas vidas.
Embora seja paradoxal, o fato de sermos uma nação com uma religiosidade muito grande não deveria nos permitir essa permissividade tão grande em nossa gente. Essa vulnerabilidade com relação à ética e a moral em muitos pilares de nossa estrutura é impressionante, e nos deixa fracos perante a maioria dos povos do primeiro mundo.
Constantemente ouvimos denuncias das mais variadas e nos mais diversos setores da nossa vida pública, envolvendo desde as pequenas anchovas até os tubarões mais ferozes da corrupção. Sem contar os bagres que fazem o papel promiscuo de corruptores, travestidos de empreiteiros, micro empresários, comerciantes, industriais e latifundiários levados ao poder por lobistas não menos culpados pelo estado lamentável em que se encontra nossa pátria.
São milhares de brasileiros comuns prontos para também levarem vantagem a primeira piscada ou ao primeiro sinal de alguma facilidade em que possam ganhar algum dinheiro de forma leviana e ilícita. Claro que esses não são maioria mas também não podemos precisar de forma correta a qual seu percentual diante da população honesta do país.
Talvez sejam poucos numericamente falando, mas deveriam ser algo próximo a zero, pois somente assim poderíamos iniciar o verdadeiro combate à forma indecente com que se praticam a arte da política no Brasil. É o toma lá da cá, o dando que se recebe, isso é normal, enfim tudo que jamais gostaríamos de ver e ouvir da parte de quem tem a responsabilidade pela maior parte do dinheiro público que circula em nosso país.
Se existe um motivo para a implantação da pena de morte no Brasil, esse seria o crime da corrupção contra o erário. Pois ao rouba-lo o político está tirando a oportunidade de uma criança se alimentar, um jovem estudar, um trabalhador arrumar em emprego, um aposentado ter uma vida digna na sua velhice.
Enquanto nossa sociedade organizada aceitar como normal e até participar de quaisquer falcatruas que envolvam dinheiro público nosso futuro estará comprometido e jamais seremos uma nação de verdade.
Rafael Moia Filho