08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

O jogo


| Tempo de leitura: 2 min

“De todas as desgraças que penetram no homem pela algibeira e arruínam o caráter pela fortuna, a mais grave é, sem dúvida nenhuma, essa: o jogo - o jogo, na sua expressão mãe, o jogo, na sua acepção usual; o jogo, propriamente dito; em uma palavra, o jogo: os naipes, os dados, a mesa verde.” (Rui Barbosa)

A Lei 5127, de 27 de abril de 2004, de autoria dos inspirados vereadores Rodrigo Antonio de Agostinho Mendonça e Maria José Majô Jandreice, tornou possível uma área de segurança de 100 (cem) metros para instalação de bares com suas mesas de bilhar e jogos eletrônicos.

O Jornal da Cidade, na primeira página do dia 30 do corrente, sob o título de “Restrição a bar perto de escola é pauta da Câmara”, traz a lúcida argumentação de um vereador que defende maior proximidade de referidos estabelecimentos junto a escolas. Como professor por cerca de quarenta anos, sempre soube que escola é símbolo de aprendizagem, de comportamento, de pesquisa, jamais de jogos! Sua Excelência avalia que a proibição de bares próximos às escolas “gera desemprego”... Sua Excelência deveria saber que o tráfico de drogas gera número maior de empregos do que todas as atividades deste pobre país. Sua Excelência, o presidente da República, através de medida provisória, decretou o fechamento de bingos e jogos eletrônicos, mas a referida medida fora revogada, com o esfriamento do caso Diniz. Há, nas escolas, “aulas-vagas”, motivadas geralmente por ausência de professores. Só falta aos diligentes legisladores defenderem a colocação de mesas de bilhar e carteado no interior de referidas escolas! O jogo! Rui Barbosa acrescenta: “... essa fatalidade, que rouba, ao estudo, tantos talentos; à indústria tantas forças; à probidade, tantos caracteres; ao dever doméstico, tantas virtudes; à pátria, tantos heroísmos”.

Bem sei que não é fácil erradicar o fascínio que o jogo exerce sobre determinadas pessoas. Como o uso de drogas; como o tabagismo. São males que proliferam, tornando-se quase impossível combatê-los. Há pessoas abnegadas que doam suas vidas ao combate desses males. Que nossa Câmara de Vereadores, infensa à luta tão desigual desses desprendidos defensores dos bons costumes, que ao menos poupem a sociedade da multiplicação de tantos vícios!

Álvaro Baptista Pontes - RG 2.477.567