O valor mínimo da cesta básica em Bauru no mês de maio caiu 3,4% em relação a abril e 3,06% se comparado ao mesmo período do ano passado, quando custava R$ 199,76. A queda, calculada por pesquisa realizada pelo Instituto de pesquisas da Faculdade de Ciências Econômicas de Bauru (Data-ITE), indica deflação, apontada pelo Índice Geral de Preços ao Mercado (IGP-M).
Como os preços no atacado - especialmente dos produtos agrícolas – despencaram, levaram o IGP-M de maio à deflação de 0,22%, ante alta de 0,86% em abril. Conforme o JC veiculou, foi o menor resultado em quase dois anos.
“Deflação é a queda geral de preços. Ele (o índice) capta fortemente a queda dos preços no atacado, puxados principalmente pela baixa cotação do dólar e pela queda do nível da atividade econômica, em função da alta dos juros. Reflete também em alguns preços ao consumidor”, explica um dos coordenadores do Data-ITE, o economista Reinaldo Cafeo.
De acordo com ele, o barateamento de alguns produtos importado “contamina” os concorrentes nacionais. Além disso, a dificuldade de exportação aumenta a oferta no mercado interno, situação que empurra os preços para baixo.
“Houve, na verdade, em todos os produtos do mercado uma queda acentuada na demanda, neste primeiro trimestre. Isso é reflexo um pouco da queda nível de atividade econômica”, reitera Cafeo. E como preço é um dos principais atrativos aos consumidores, os três grupos da cesta básica - alimentação, limpeza doméstica e higiene pessoal - fecharam em baixa em maio.
Os dados da pesquisa levam em conta uma quantidade de produtos capaz de atender família composta por quatro pessoas. São realizadas pesquisas de preços em dez supermercados espalhados pelas regiões norte, sul, leste e oeste da cidade. O valor mínimo da cesta básica só é obtido quando se adquire os produtos mais barados nos supermercados pesquisados. Se o critério fosse inverso, ou seja, pelo maior preço, o custo passaria dos R$ 193,65 para R$ 315,41.
A variação também indica que a discrepância de valores de um mesmo produto continua grande. Para o economista, só existe uma forma de driblá-la: pesquisando. Entre um estabelecimento e outro, por exemplo, o preço da batata variou 475%. No entanto, foi o da cebola quem sofreu a maior alta do mês de maio.