A coluna Entrelinha (JC - 1.º/6/05) traz comentários focalizando sugestões apresentadas de locais para abrigar o posto de serviço do governo estadual denominado Poupatempo.
Segundo o comentário, o vereador João Parreira de Miranda (PSDB) pretende indicar a escola estadual “Rodrigues de Abreu” para a instalação do referido órgão. Ressalta também o comentário que o vereador já havia proposto anteriormente o fechamento da escola estadual “Ernesto Monte”, para abrigar órgãos administrativos da Prefeitura Municipal.
Primeiramente, fico estarrecido com a insistência anormal do vereador em fechar escolas públicas para abrigar órgãos públicos administrativos.
O Bauru Ilustrado n.º 347 (junho/2005) publica na seção Crônica do Leitor, longa carta do ex-aluno do então ginásio estadual “Ernesto Monte”, que aqui residiu, José Eduardo de Oliveira Costa, defendendo a permanência do referido estabelecimento de ensino, dizendo: “Há que se preservar em Bauru aquilo que é mais que uma instituição da cidade, mas que representa uma parte de sua história”. Abaixo da Crônica encontra-se o seguinte texto do editor: “Esclarecemos que as páginas do Bauru Ilustrado continuam à disposição de nossa gente, principalmente dos ex-alunos, de antigos mestres e dos atuais alunos e professores, que tenham interesse em se manifestar sobre a iniciativa que, acreditamos, já teria ficado em plano secundário, pois a repercussão foi altamente negativa junto à população bauruense”. Como se constata o vereador João Parreira de Miranda continua com sua idéia fixa, em fechar escolas públicas. A nova vítima é a escola estadual “Rodrigues de Abreu”, indicada para fechamento para que seu prédio seja ocupado na instalação do Poupatempo. Sem duvida, um delírio! Infeliz idéia.
Comporta lembrar a edição do Bauru Ilustrado n.º 321 (abril/2003) numa excelente e completa reportagem descrevendo a história do ex-Grupo Escolar de Bauru, lembrando a criação do estabelecimento em 7 de junho de 1913, cujo presidente do Estado era o dr. Altino Arantes e, secretário da Educação o dr. Oscar Rodrigues Alves. Inicialmente recebeu a denominação de Grupo Escolar de Bauru e constituiu-se pela fusão de várias escolas isoladas que formavam seis classes. Em abril de 1939 passou a chamar-se “Rodrigues de Abreu”, em memória ao saudoso poeta.
Com essa obsessão em fechar escolas públicas, só me resta considerar o vereador João Parreira de Miranda “persona non grata” das escolas estaduais da Educação Básica.
Rodolpho Pereira Lima - professor aposentado do magistério estadual