08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Geografia estática


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Há tanto para se falar sobre Bauru, essa típica cidade brasileira, paulista e já caótica. O recente retrato assombroso da desigualdade social levantado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) pode ser o carro-chefe dos inúmeros problemas enfrentados por nós. Afinal, uma cidade ou um país não pode crescer com vigor quando a maior parte do povo não vive, só sobrevive.

Por que tanta violência? Como desarmar a população? “Campanha do Desarmamento”, “Campanha da Fraternidade”, “Campanha do Agasalho”, “Campanha contra a Fome”, etc.

Não se combate problemas gravíssimos como os citados com medidas tão paliativas. É preciso levar o povo mais a sério. O povo não quer esmola, quer é educação de qualidade, saúde digna de seres humanos, cultura, saneamento “básico”, enfim, qualidade de vida para poder competir com igualdade de oportunidades. Como bauruense, me entristece muito ver e sentir os problemas da cidade aumentar num ritmo por vezes maior do que os de cidades da região do mesmo porte.

Além de carregar a herança nacional da desigualdade, ainda convivemos com a falta de estrutura de Bauru. A iluminação é extremamente deficiente, o asfalto é piada estadual e o esgoto parece a cada dia estar mais longe de ser tratado. Tudo isso ajuda a empurrar os índices de violência e criminalidade. Os mesmos combatidos pelas campanhas. E agora tem gente até mexendo nos postinhos de saúde, dá para acreditar? Mas essa é outra história que merece uma página inteira.

Lê Ferreira