09 de julho de 2026
Política

Comissão de ética acirra disputa no PT

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 2 min

A instauração de uma comissão de ética para apurar virtual desvio de conduta política de nove militantes durante o primeiro turno das eleições municipais do ano passado acirra a disputa pelo controle do poder do PT de Bauru. Ontem, o sindicalista Jesus Garcia anunciou que vai pedir intervenção do diretório estadual na instância municipal do partido por discordar dos rumos do processo que vai apurar a denúncia.

Além de Garcia, estão envolvidos na mesma situação os militantes Francisco Wagner Monteiro, Maria Aparecida Faria, Adriana Chaves, Oscar Fernandes Sobrinho, Henrique Perazzi de Aquino, Jorge Antonio Soriano Moura, Aguinaldo Anastácio da Silva e Regina Pacheco.

Eles são acusados pela executiva municipal do PT, presidida por Estela Almagro, de apoiar a candidatura de Tuga Angerami (PDT) ainda no primeiro turno das eleições municipais de outubro passado. Estela era a candidata do Partido dos Trabalhadores à Prefeitura de Bauru. No segundo turno, ela declarou apoio a Tuga Angerami.

Logo após as eleições, os nove militantes foram expulsos do PT de Bauru em julgamento sumário feito pela executiva municipal do partido. Garcia, representante do grupo, recorreu da decisão ao diretório estadual da legenda, alegando cerceamento de direito de defesa, e conseguiu anular a expulsão.

Por orientação da instância estadual, a comissão de ética foi instaurada. Na última quinta-feira, o diretório municipal publicou edital oficializando o processo, o que gerou críticas por parte do grupo de Garcia. Segundo o sindicalista, não havia necessidade do partido publicar o edital expondo os nomes dos filiados que vão sofrer o processo.

“Essa convocação é feita de maneira pessoal ou através dos Correios”, argumenta. Na opinião do sindicalista, a presidente do PT, Estela Almagro, “rasga” o estatuto do partido ao deixar de cumpri-lo como deveria.

“Essa publicação no jornal tem uma conotação pejorativa. E mais: se a presidente é interessada direta na expulsão de todos nós, deveria, por ética, pedir afastamento da direção do partido para ficar isenta no processo”, opina. Na avaliação dele, a petista não soube lidar com a derrota na eleição municipal passada.

“Essa conduta da Estela é inescrupulosa. Temos que nos aglutinar. O atual cenário político pede isso”, observa.

Garcia e seu grupo desconhecem se estão filiados ou não ao PT de Bauru. “Não tivemos acesso à lista de filiados que fica no Cartório Eleitoral. Se a Estela já nos excluiu do partido, qual o interesse desse jogo de cena?”, questiona.

O sindicalista denuncia que o diretório municipal do PT se utiliza da estrutura do gabinete do vereador José Carlos Batata (PT) para cumprir com suas obrigações cotidianas. “Foi utilizado o fax do gabinete do Batata, na Câmara, para enviar a lista de filiados ao Cartório Eleitoral. Eu tenho isso em mãos. O PT já deveria ter uma sede na cidade. É uma vergonha o partido não ter um prédio próprio”, critica.