10 de julho de 2026
Política

Livro de Orwel é paralelo das ações do departamento

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 1 min

O jornalista policial e escritor Percival de Souza compara o Departamento de Ordem Política e Social (Dops) ao livro “1984”, de George Orwel, na qual os cidadãos de uma sociedade fictícia são vigiados a todo momento pelo poder público. O departamento foi criado em 1940 durante o governo do presidente Getúlio Vargas.

“O Dops era a polícia do pensamento. Para entender melhor o que foi esse departamento basta compará-lo ao Big Brother Brasil. Era o grande irmão atento a tudo, vigilante. Acompanhava de perto os políticos, líderes sindicais, estudantis, filmes, peças de teatro, livros. Era o ‘1984’, de George Orwel”, comenta.

O jornalista, que viveu esse período conturbado em São Paulo, conta que o Dops controlava até mesmo a relação de moradores de prédios e condomínios da Capital. “As mudanças dos moradores eram informadas sistematicamente ao departamento. Era um controle absoluto”, diz.

Para Souza, o delegado Wanderico de Arruda Moraes, citado no seu livro “Autópsia do Medo”, não foi escolhido aleatoriamente para comandar o Dops durante o regime militar. “O departamento precisava de um homem mais preparado intelectualmente”, explica.

O jornalista entrevistou o ex-delegado do Dops para seu livro em 2000. “Ele tem um arquivo pessoal fabuloso, com cópias de depoimentos e interrogatórios”, revela. Ao ser questionado sobre o assunto, Wanderico confirma a existência do material. Garante, porém, que a papelada não está mais na sua residência, mas também não informou seu paradeiro. “Não estão mais aqui”, informou, com um leve sorriso nos lábios.