A Prefeitura Municipal de Bauru conta atualmente com 4.921 servidores na ativa. Levantamento feito pela Secretaria Municipal da Administração, a pedido da reportagem, aponta que 562 funcionários estão lotados em funções de comando ou são encarregados, o que representa 11,42% do quadro de pessoal.
O organograma das pastas de governo estabelece os cargos de secretário, assessores de gabinete, diretores de departamento, diretores de divisão, chefes de seções e encarregados. Há, ainda, a função de secretário adjunto, que não vem sendo preenchida nos últimos anos.
Do total de 562 servidores em funções de comando, 345 são chefes. Os outros 217 são encarregados, ou seja, recebem uma gratificação extra nos salários por desempenhar atividades que vão além das exercidas usualmente.
A professora Adriana Chaves está coordenando o projeto de reestruturação organizacional da prefeitura. O trabalho teve início em fevereiro, com prazo de 90 dias para ser concluído. Ao que tudo indica, o número de chefias deverá ser reduzido, mas ainda não se sabe se essa diminuição será substancial ou não.
Para José Munhoz Fernandes, professor de recursos humanos do curso de administração da Instituição Toledo de Ensino (ITE) e administrador universitário da área de recursos humanos da Universidade Estadual Paulista (Unesp), o modelo ideal de gestão pública deve contar com poucos cargos de chefia. “A comunicação flui melhor e, conseqüentemente, a tomada de decisões é mais rápida e eficiente”, avalia.
Fernandes explica que a administração municipal deve sempre buscar a eficácia sendo eficiente, ou seja, o ideal é que alcance os seus objetivos aproveitando os recursos necessários da melhor maneira possível. “Para que isso ocorra, a redução de níveis hierárquicos é o melhor caminho”, observa.
O professor destaca que o excesso de chefias emperra o processo produtivo e causa sérios danos. “Na administração privada, a demora na tomada de decisões pode significar até mesmo a morte da organização. Às vezes, uma equipe menor e mais qualificada funciona melhor”, declara.
Ele acredita que as administrações públicas estão se conscientizando cada vez mais sobre a importância de rever seus organogramas, diminuindo as chefias. “É uma mudança a médio e longo prazos, mas que já começa a ser percebida”, afirma.
Fernandes destaca que essa alteração também terá outras implicações. “A abrangência dos cargos está sendo ampliada. O servidor não vai trabalhar mais, mas não fará apenas uma tarefa. Quanto menos repetitiva é a atividade, menor é a possibilidade do funcionário se alienar”, comenta.