10 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Respondendo com franqueza e apelando por providências


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Uma missivista, que tem o sobrenome de Cassou, fez uma longa cantilena aqui neste espaço democrático, em defesa intransigente dos regimes totalitários e encerra afirmando textualmente: "Não está na hora de voltarmos aos idos de 1964 e repetirmos a vitoriosa Batalha de Guararapes para expulsar o invasor? A ordem do dia é: “Desesarilhar Bacamartes".

O que será? Uma senha para rearticulação das organizações fascistas e paramilitares, como por exemplo, a FAC, CCC, e outras menos cotadas? Seria o início de uma movimentação para depor com uso de armas os governos legalmente eleitos pelo povo e a implantação novamente de um governo autoritário em nossa pátria. Se ela está fazendo apologia da violência, do uso de armas - quando o país busca se desarmar -, em meu modesto modo de ver merece ser questionada judicialmente para melhor se explicar da mesma forma como aqueles que teimam em fazer apologia do nazismo estão sendo submetidos a processos.

Afinal, entre as posições da sra. Cassou e os nazistas cassados pela justiça não vejo diferença alguma. Ora, concordamos com toda manifestação pública de pensamentos e gosto de lê-los quando efetivamente embasados em argumentos sólidos, convincentes e, no caso específico desta senhora, ao que parece, somente leu a história dos vitoriosos, que historicamente tripudiam sobre os derrotados. Olga Benário não veio ao Brasil para vigiar Luis Carlos Prestes e sim para fazer sua segurança pessoal, tendo ordens para retornar imediatamente após o “Cavaleiro da Esperança” estar instalado aqui no Brasil. Por questões que a razão desconhece, o coração de ambos acabou falando mais alto e se apaixonaram, vivendo intensamente uma curta, porém bela história de amor. Olga, grávida de um brasileiro foi entregue à Gestapo, levada para campos de concentração alemães e morta em câmara de gás.

Podemos dizer sem medo de errar que Anita Leocádia, sua filha, somente sobreviveu graças à campanha internacional encetada pela mãe e irmã de Prestes. E a entrega de Olga foi realizada por vingança pessoal de Filinto Muller, chefe de Polícia de Getúlio, que havia participado da Coluna Prestes nos anos 20, sendo o seu tesoureiro e fugido com o dinheiro, sendo por isso denunciado publicamente pelo comando da Coluna como desertor e ladrão. A carta é longa e não dá para contestar todos os argumentos da missivista neste espaço, entretanto, se refere ao Cabo Anselmo, o José Anselmo dos Santos, falando que este foi usado pelos “inimigos da pátria”, que utilizaram seu entusiasmo para subverter a ordem e a hierarquia militares. Ora, Cabo Anselmo trabalhou para a repressão, infiltrando-se em organizações de esquerda e levando mais de uma centena de militantes políticos à prisão e muitos à morte.

Dentre as mortes ocasionadas, esta a de sua própria companheira, Soledad, que se encontrava grávida de sete meses. Neste episódio, Anselmo determinou a morte de seu próprio filho. Grande homem! Além de existirem suspeitas, que somente serão confirmadas com a abertura dos arquivos da ditadura, de que na realidade este simulacro de ser humano era agente da CIA, a serviço dos golpistas de 64, que buscavam um motivo para dar o bote e com o incendiário discurso do marinheiro em hipotética defesa de Goulart e suas reformas de base, encontraram.

“Preferi entrar para a história como traidor ao invés de adentrar como herói morto, enterrado em uma vala comum, em local desconhecido”. Leia: Eu, Cabo Anselmo, de Percival de Souza e para as atrocidades do período: Autopsia do Medo, do mesmo autor onde são retratadas as peripécias do delegado Sérgio Fleury. Ditadura, tirania, nunca mais. Chega de cassar e caçar por divergências pessoais ou pelos tão decantados “crimes de opinião”.

Antonio Pedroso Júnior