10 de julho de 2026
Economia & Negócios

Artigo: Próxima geração


| Tempo de leitura: 3 min

Estava pesquisando na Internet, ferramenta maravilhosa à nossa disposição, e me deparei com o censo do ano 2000. A população brasileira apresentada no censo era de 169.799.170 habitantes, sendo 83.576.015 homens e 86.223.155 mulheres, interessante equilíbrio.

O número de pessoas com idade entre 50 e 64 anos era de 17.108.245, e entre 10 e 24 anos, de 51.429.397.

Numa análise simplista, considerando que as pessoas em tese se aposentam aos 65 anos e ingressam no mercado de trabalho aos 20 anos (pura fantasia para análise) teremos três vezes mais pessoas ingressado do que deixando o mercado de trabalho entre o ano 2.000 e 2.010. Pura fantasia, porque hoje temos aposentados que voltaram ao mercado de trabalho para ajudar os filhos e sustentam muitos netos.

A perspectiva e necessidade de consumo nesses dez anos será muito maior do que ano 2.000, sem contar décadas futuras.

A economia brasileira terá uma propensão a consumir crescente, a taxas preocupantes se o desenvolvimento econômico não a acompanhar, portanto, há uma sinalização de pressão inflacionária para as próximas décadas que nenhuma política de aumento de juros regular de 0,25% será capaz de combater.

Quando se tem uma taxa de juros da ordem de 5% ao ano e há uma elevação de 0,2% a 0,5%, o impacto é sentido imediatamente, mas quando se tem uma taxa de 20% ano, 0,25% pouco incomoda quando comparado às necessidades que as pessoas e empresas tem de tomar recursos .

Deixarão esses 51 milhões de pessoas de comprar geladeiras, fogões, televisores, por que a taxa de juros aumenta regularmente?

As pessoas constituirão famílias, terão filhos e novas necessidades , portanto serão forçados a consumir, queiram os gestores de nossa política econômica ou não.

Esse crescimento do mercado consumidor tem sido negligenciado e o foco tem sido a contenção do consumo, portanto estamos represando um volume absurdo de água com montinhos de terra. Rompida a barreira, teremos novamente enchentes inflacionárias.

Só há uma maneira de se evitar isso: estímulo ao investimento na produção.

A economia mundial continua em ritmo acelerado e enquanto estiver assim o Brasil continuará exportando e recebendo dólares. Isso incentivará o consumo.

Quanto mais alta a taxa de juros no País, mais dólares especulativos virão, derrubando ainda mais o taxa de câmbio e elevando propensão a consumir e a importar bens não duráveis. Mais consumo e mais inflação.

A saída para o Brasil é investir na produção de bens para exportação sim, mas principalmente para o mercado interno, permitindo que os consumidores tenham acesso a bens a preços e volumes razoáveis.

Chegamos ao ano 2005, cinco anos adiante do censo, e estamos observado que a pressão inflacionária está aí e mesmo com a absurda política de aumento de juros ditada pelo Banco Central não há perspectiva de queda.

A inflação não vai cair, podem aumentar os juros quanto quiserem. O desastre será a redução ainda maior da produção, aií sim, veremos uma nova explosão inflacionária.

A questão da inflação neste País é puramente aritmética: não produzimos o suficiente para atender a demanda crescente do mercado.

O Brasil enquanto estiver na corona da economia mundial não sentirá os efeitos dessa bomba de pavio aceso, mas quando houver um novo período recessivo, o impacto será inevitável.

Você que hoje tem vinte e poucos anos, certamente tirou seu título de eleitor na época deste censo e já votou, veja bem em quem votou.

Veja bem em que vai votar nas próximas eleições, pois no ritmo que vamos corremos o risco de sermos um país de miseráveis com as maiores taxas de juros do mundo, ou podemos reverter a situação e evitar o fracasso de sua geração, aproveitando a capacidade do povo brasileiro de trabalhar e o potencial de crescimento de mercado para construirmos uma verdadeira nação: a nação brasileira.

O autor, Ivan Postigo, é economista, contador, pós-graduado em controladoria pela USP.