A defesa de bandeiras polêmicas sempre foi a marca registrada do Partido Verde (PV) desde a sua criação, em janeiro de 1986. Temas como homossexualismo, legalização da maconha e aborto, evitados ou criticados por representantes de outras legendas, jamais deixaram de ser amplamente debatidos por seus militantes.
“Somos o agente político que tem coragem para trazer esses assuntos à discussão. No início, tínhamos pouca voz e espaço, mas essa situação foi mudando ao longo dos anos. A sociedade compreendeu que nós não éramos um grupo de malucos”, afirma o secretário estadual de Comunicação e presidente municipal do PV, Cláudio Turtelli.
Para ele, muitas propostas que constam do programa de governo do partido são mal interpretadas. “No caso das drogras, por exemplo, o que nós queremos é evitar o encarceramento dos dependentes. Esse não é um problema de polícia, mas de saúde pública. Defendemos o fim do ciclo formado por traficantes e usuários”, argumenta.
Turtelli avalia que o aborto é outra questão que precisa ser encarada sem hiprocisia. “O que queremos é que a sociedade dê mais atenção para esse problema”, declara. O programa do PV defende a legalização da interrupção voluntária da gestação, mas dentro de um processo educativo que evite a gravidez indesejada.
A legalização do jogo do bicho e a liberdade sexual também fazem parte da lista de itens polêmicos defendidos pela legenda. A preservação do meio ambiente, marca registrada do PV e fonte de inspiração para o nome do partido, ocupa lugar privilegiado no programa de governo dos verdes.
O secretário reconhece que os primeiros anos de atuação do partido foram difíceis. “A sociedade não absorveu as nossas idéias de imediato. Ela é conservadora e demora para reagir quando você traz propostas diferentes. Há 15 anos, tínhamos dificuldades até para fazer filiações”, recorda.
Ele afirma que a resistência a certos temas ainda não foi completamente eliminada. “Quem se filia ao partido normalmente faz questionamentos sobre o aborto e outros itens. Quando isso ocorre, explicamos que a intenção é promover o debate”, relata.
Turtelli antecipa que, após as eleições do próximo ano, o PV irá concentrar esforços para defender a ética no exercício da função pública e a redução dos cargos de confiança. “Temos que estar sempre vigilantes para que um dia o País possa ficar livre da corrupção”, comenta.
Segundo ele, a expectativa do PV é ampliar a sua representação no Congresso Nacional em 2007. “Nós esperamos saltar de sete para 30 deputados federais. Dessa forma, teremos voz ainda mais forte”, projeta.
O secretário conta que a definição sobre o lançamento de candidaturas a deputado em Bauru será conhecida nos próximos meses. Recentemente, a legenda ganhou o reforço do ex-prefeito Tidei de Lima, do ex-vereador Luiz Carlos Valle e do parlamentar Primo Mangialardo.