A devoção e fé à vida religiosa não têm idade nem obstáculos que a impeça. Prova maior disso é a jovem irmã Maria Tereza de Jesus Romero, 22 anos, que ontem realizou o maior sonho de sua vida: ingressou oficialmente para a clausura do Mosteiro Santa Beatriz, localizado no Ferradura Mirim, em Bauru.
Natural do município gaúcho de Osório, no Rio Grande do Sul, Romero entrou no mosteiro com apenas 16 anos, tornando-se uma das mais novas a ingressar e, após seis anos dedicados à sua formação, ordenar-se na instituição através do ritual chamado “votos perpétuos”, efetuado em uma missa solene. “Todo esse período de preparação é uma exigência e o ritual é o momento dela dizer oficialmente o ‘sim’ a todos os princípios e ideais da congregação”, explica a irmã Inês Maria, abadessa superiora do mosteiro.
Demonstrando serenidade com a entrada na clausura da instituição, Romero não escondia a felicidade com o “grande dia”. “É a conclusão de toda uma caminhada e o sim total e definitivo a Deus. Era uma data muito esperada e me sinto alegre e convicta da opção que fiz”, enfatiza a irmã “gauchinha”.
Ela conta ter “sentido” sua vocação muito cedo e que o apoio de sua irmã, que já havia ingressado no mesmo mosteiro, ajudou a decidir-se pela nova opção de vida. “Achei que meus ideais eram diferentes do mundo com suas buscas e ideais pequenos. Busquei algo mais útil à humanidade e descobri que pela oração se pode descobrir o poder infinito de Deus. Por isso, decidi me consagrar a Ele, pois o que o ser humano pode oferecer de melhor a Deus é a sua própria vida com suas renúncias. Com isso, além de minha vocação, senti que nasci para algo diferente”, sintetiza Romero.
E engana-se quem pensa que as privações exigidas na clausura do mosteiro abalam a irmã. Firme e decidida em seus ideais, Romero afirma não sentir falta de sua “antiga” vida, quando estudava no magistério e relacionava-se com seus amigos. “Isso não preenchia meu coração e hoje não me faz falta. Pretendia até continuar a fazer pedagogia, mas sentia que não faria faculdade e que as decisões em minha vida seriam rápidas. E assim aconteceu”, ressalta.
Apesar disso, ela revela ter saudades do convívio familiar. “Era muito apegada a meus pais, e eles comigo. Mas encaro isso como um sacrifício e desejo sempre que minhas orações retornem para eles em forma de bênçãos”, frisou Romero. E, quando o coração “aperta”, ela e os familiares recorrem com freqüência ao telefone para amenizar a distância e a vontade de estar perto.
Presentes na ordenação, os pais de Romero destacaram a alegria do momento. “No começo, foi muito difícil aceitar porque, além de muito nova, a gente era muito apegado com ela, que é a caçulinha. Mas agora é uma alegria muito grande, quase inexplicável, vê-la entrar oficialmente no mosteiro”, salienta o pai João Martins Cardoso.
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Rotina rígida
A rotina diária no Mosteiro Santa Beatriz, que atualmente abriga nove enclausuradas, é rígida. O despertar é às 4h45, quando se iniciam as orações até as 8h, horário de celebração da missa solene. Após o término da cerimônia religiosa, as irmãs dividem seu tempo com orações e a execução de diversos serviços ligados à área de culinária, corte e costura e produção de hóstias, com direito a uma hora de recreação depois das principais refeições. O dia se encerra às 21h30, horário máximo permitido para o repouso.
Mas apesar de viverem na clausura, a abadessa Inês Maria ressaltou que as integrantes são pessoas comuns. “Temos uma vida com privações mas somos comunicativas e sociáveis. Saímos para fazer compras e resolvemos outras necessidades da instituição, pois não temos como manter um empregado para isso. Entretanto, damos preferência para moças com vocação mais caseira”, disse.
A abadessa, com 52 anos, 28 deles dedicados ao mosteiro, afirmou que recebeu de Deus a orientação para seguir o caminho da religião. “Falo isso com plena consciência e convicção e não trocaria por nada. Estou muito contente com a escolha que fiz para minha vida”, concluiu.