07 de julho de 2026
Entrelinhas

Entrelinha

Da Redação
| Tempo de leitura: 2 min

• Resposta oficial

Veiculamos na íntegra, nesta página (na tribuna do leitor), democraticamente, mesmo sem a necessidade jurídica para tal, um pedido de direito de resposta enviado pelo prefeito Tuga Angerami e seu chefe de Gabinete, Paulo Canalli, que no último sábado negou-se a informar qual foi o motivo que levou à formação de uma comissão de sindicância instalada e já finalizada para apurar denúncias de possíveis irregularidades contra integrantes do Conselho Municipal da Criança e do Adolescente.

• Flagrante incoerência

Para tentar justificar os obstáculos colocados à chegada da informação à opinião pública, Tuga e Canalli alegam o artigo 5.º da Constituição, que resguarda, entre outros, a imagem de pessoas. Ocorre que tal artigo não se aplica neste caso, e ainda que se aplicasse, numa infeliz incoerência, a própria prefeitura não foi nem um pouco cautelosa como pretende se mostrar, ao publicar no Diário Oficial (DO) de sábado os nomes de quatro conselheiras que estavam sob investigação. Ora, eles mesmo publicam os nomes, não dão informação sobre o porquê e depois falam em preservar imagens? Dá para entender?

• Se contradizendo

Além disso, a própria publicação no DO demonstra que a sindicância não foi iniciada recentemente, como cita a nota ao lado. No DO fica claro que já foi concluída a sindicância, tanto que lá está determinado o início da fase seguinte - o processo administrativo. Fica a dúvida: em qual versão devemos acreditar? Na oficial, publicada no DO, ou na nota enviada ao JC?

• Propaganda oficial

Quanto aos números de entrevistas e aparições em meios de comunicação, é preciso dizer que há uma enorme diferença entre releases que fazem a propaganda, ou seja, aquilo que se quer mostrar oficialmente, e um jornalismo crítico, aprofundado, democrático, abrangente e investigativo, que quer cumprir sua missão de levar à opinião pública a informação transparente e verdadeira. Política de comunicação se faz com via de mão dupla e não apenas mandando as informações como se deseja que elas cheguem à população, somente com a versão oficial. Quando alguém que cuida da coisa pública, sustentado pelo dinheiro do povo, se omite de falar, é porque não quer ser questionado e isso é péssimo para a democracia.

• Futuro da cidade

Infelizmente, esse tipo de reação ao trabalho jornalístico é a de quem prefere amaldiçoar a escuridão ao invés de acender a luz, numa demonstração de miopia política, porque revela uma preocupação maior em se defender não dialogando, ao invés de receber críticas que expressam opiniões de vários segmentos da sociedade e que deveriam ser objeto de análise e reflexão, com a permeabilidade e serenidade necessárias a quem exerce funções de tamanha responsabilidade. Torcemos para o sucesso total dessa administração, pois dela depende muito o futuro da cidade, mas para isso é importante que haja grandeza de espírito e capacidade de reavaliação do quadro atual. Ainda é tempo.