A possibilidade dos internos da unidade de Bauru da Fundação para o Bem-Estar do Menor (Febem) estarem munidos com arma de fogo e entorpecente foi descartada ontem após revista realizada com o apoio da Polícia Militar. De acordo com o major José Humberto Nardo, foram apreendidos dois ferros de construção, um pé de cadeira, além de material como caneta e barbante.
A suspeita de que objetos mais perigosos pudessem ter entrado no prédio surgiu porque uma bolsa foi atirada de fora para dentro da unidade, no final de semana. Mas ela já estava vazia quando um funcionário subiu num dos telhados para acessá-la, iniciativa que resultou em ferimentos ao servidor.
“Não registramos nenhum incidente (durante a revista). É uma operação padrão. Uma célula (cerca de 20 policiais) entra (na unidade). Eles vão saindo (nus) um a um (para outra sala), enquanto os funcionários fazem a revista (na unidade). É só para aniquilar qualquer possibilidade de reação”, explica Nardo.
Boato
Ele acompanha desde quinta-feira as agitações diárias promovidas pelos internos, que ontem recusaram o almoço em protesto. A instabilidade inflamou o boato de que o atual diretor da unidade, Jorge Lelis Pinholi, teria pedido para deixar o cargo.
Soma-se às especulações a escolha da nova presidente da fundação, Berenice Maria Giannella, que por ter começado a trabalhar ontem pode decidir pela substituição de diretores do Interior. A possibilidade, porém, foi negada pela assessoria de imprensa da Febem, a quem Pinholi atribuiu a responsabilidade de comentar a situação em Bauru.
Ele assumiu o cargo há 40 dias, período em que duas rebeliões foram registradas em menos de 24 horas. Na ocasião, os adolescentes fizeram refém, destruíram parte da unidade de internação e queimaram colchões. O material já havia sido completamente reposto até ontem, informa a assessoria de imprensa. No entanto, de acordo com funcionários consultados extra-oficialmente, alguns internos ainda dormiriam com colchonetes de academia.
No transcorrer da agitação de ontem, nenhum prejuízo relevante foi constatado. Mesmo assim, durante a tentativa de tumulto, os adolescentes do seguro (separados por medida de segurança) e os funcionários foram retirados da unidade e permaneceram do lado de fora.