Todos os brasileiros leram, chocados, as declarações daquele que há pouco era um dos comandantes da tropa de choque petista - Roberto Jefferson - segundo as quais deputados da base aliada do governo federal recebiam uma “mesada” - o mensalão - para manter-se submissos à vontade do PT. Na tentativa de conter os danos causados pela revelação, o PT acabou demonstrando a pior estratégia possível, espalhando denúncias por todo lado para tentar justificar sua própria posição.
Uma curiosa amostra da múltipla personalidade petista - que já tive oportunidade de apontar em muitas ocasiões - pode ser percebida no site do PT e nas notas oficiais divulgadas pelo partido, inclusive as malfadadas cartilhas anti-CPI que tem norteado o discurso petista. Na nota, o PT afirma que “o PT, a exemplo de outros partidos da base do governo, apóia todas as investigações em curso feitas pela Polícia Federal, pelo Ministério Público, pela Controladoria Geral da União e por outras instituições, ressalvando a presunção de inocência de todos os envolvidos (…)”. Pouco depois, no site e nas “cartilhas de doutrinação”, o PT deixa bem claro que esta presunção de inocência só vale para o PT e seus aliados e requenta uma dezena de denúncias formuladas pelo próprio partido no governo passado e até hoje desprovidas de qualquer prova.
Na lógica do PT, o seu governo pode tudo, inclusive o que é proibido, enquanto os adversários não podem nada, inclusive o que é permitido. Quando pego com a boca na botija, o governo tem como única alternativa o ataque, buscando destruir as reputações alheias e criando uma impressão de que “os políticos são todos iguais”, visando justificar seus deslizes bem concretos com boatos contra os outros. Em outras palavras, tendo destruído a discussão política e a argumentação racional - substituídas, a se comprovarem as denúncias, pelo “mensalão” - no seu próprio campo de ação, o PT e o governo agora tentam trocar a discussão objetiva por vagos rumores, teorias conspiratórias, desmentidos nada convincentes e, sobretudo, fazendo aquilo que faz melhor, atirando lama por todo lado. Cabe à sociedade repudiar esta atitude infame e não se deixar atrair para táticas diversionistas preocupadas em criar uma nuvem de fumaça de natureza deletéria para o País e a política.
O PSDB jamais apoiou aventuras golpistas, pelo contrário, sempre esteve na linha de frente da defesa da democracia e da ética na política. Tampouco os tucanos deixaram de condenar os discursos que apontam a política como um mar de lama e os políticos como sendo todos corruptos, pelo contrário, sempre teve clara a necessidade de resgatar a nobreza e os princípios da cidadania como pontos para reconstrução do Estado.
Ao tentar confundir a opinião pública com um critério de moralidade “maleável” para si mesmo e draconiano para os adversários, o PT só comprova a hipótese aventada pelas denúncias, pois confirma ser incapaz da discussão política, da argumentação lógica, do convencimento por outros meios que não algum tipo de mensalão e loteamento de cargos. Afinal, se nem em um momento na qual os argumentos sérios são tão importantes o partido e o governo não são capazes de outra coisa senão de bravatas e troca de acusações, então é de se esperar que também não consigam defender seus projetos nos outros momentos.
Também é curioso que a nota do PT cite a Controladoria Geral da União - dirigida pelo ex-governador Waldir Pires - como sinal de que está preocupado com o combate à corrupção no mesmo dia em que o próprio Pires, em entrevista à Folha de São Paulo, diga que não irá investigar as denúncias contra o IRB porque “não tem quadros suficientes para investigar as denúncias de irregularidades envolvendo o IRB”. Isto é, o discurso de que se combate a corrupção é desmentido até por quem o governo dá a responsabilidade de investigá-la.
O autor, Pedro Tobias, é deputado estadual e vice-presidente do PSDB-SP