10 de julho de 2026
Articulistas

Luz no fim do túnel


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Finalmente, após mais de três anos de intensas discussões, aparece uma luz no fim do túnel do mais polêmico assunto da pecuária nacional. E, desta vez, não é o farol da locomotiva que vem para nos atropelar. A oficialização da participação do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) no Sistema Brasileiro de Identificação e Certificação de Origem Bovina e Bubalina (SISBOV) é uma das melhores notícias dos últimos meses. Abalada por problemas cambiais, suspensão de mercados e quedas expressivas e repetidas no preço da arroba, a cadeia da carne vê-se obrigada a encontrar soluções que mantenham a sua viabilidade. Considerada por todos os elos como peça fundamental desta reconstrução (do produtor ao governo, passando pelas indústrias e chegando aos consumidores) a rastreabilidade ganha chance de ter credibilidade nos mercados interno e externo e cumprir seu papel: a valorização da carne pelo acesso a mercados compradores que permitam agregar valor ao produto graças às garantias sanitárias.

A entrada do Inmetro traz tons técnicos à discussão antes passional e, em pouco tempo, o produtor, hoje inseguro, passará a ter certeza de estar percorrendo um caminho correto. Itens como sistemas de identificação, acompanhamentos de trânsitos, bases de dados - centralizadas ou não - e protocolos de produção serão elevados a padrões internacionais, aceitos pela maioria dos mercados, tendo como base regras e protocolos ISO Guia 65, conjunto de normas nos quais se faz o credenciamento de organizações certificadoras de produtos. As certificadoras e empresas de sistemas de identificação, por sua vez, passarão a ter que cumprir exigências e normas rígidas, dissipando-se o atual desconforto pela falta de padronização de procedimentos e amadorismo de alguns agentes envolvidos.

Com isso, o SISBOV passará a poder também cumprir seus papéis secundários, mas não menos importantes tais como o apoio ao sistema de Defesa Sanitário e ao programa nacional de prevenção à EEB, mais conhecida como Mal da Vaca Louca (hoje somos o único país do mundo aonde estes programas não trabalham de forma integrada). Ao assistirmos Uruguai, Argentina, Estados Unidos, Chile, Austrália e todos os demais competidores internacionais avançarem na implantação de seus sistemas, inclusive colocando prazos para que todos seus rebanhos estejam rastreados antes do final desta década, respiramos aliviados com a ação tomada pelo governo, nos restando neste momento dar as boas-vindas ao Inmetro e os parabéns ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento por tão importante decisão.

O autor, Luciano Médici Antunes, é engenheiro agrônomo e presidente da Associação das Empresas de Rastreabilidade e Certificação Agropecuária