Negócios escusos acerca do poder público. Esta é a pauta da semana. Os cadernos de Brasil dos principais jornais do País foram quase que inteiramente destinados a este tema no transcorrer dos últimos dias. Não faltam denúncias estarrecedoras a cada virada de página. As matérias bombásticas da revista “Veja” envolvendo o diretor dos Correios e o presidente do PTB e a do “Fantástico” sobre a negociação de dez deputados e o governador de Rondônia chocaram e provocaram onda de revolta entre os cidadãos. Mais do que chocar, deixaram a nítida impressão de que estes casos não são exceção na política brasileira, parecem mesmos a regra. Difícil é escancaram isso para todo o País como conseguiram estes veículos, tendo até, assustadoramente, que enfrentar a própria Justiça (no caso da Rede Globo), que tentou barrar a difusão da fita de Rondônia sobre os acordos de pagamento de propina, como se um fato deste não fosse de total relevância para a população.
Os últimos episódios nada mais são do que o resultado da histórica impunidade (êta palavrinha mais usada no País), que assola a Nação há muito tempo. Com isso, representantes do poder, assim como a bandidagem que atua na rua, vão ganhando cada vez mais confiança e ficando cada vez mais ousados. A analogia pode parecer desrespeitosa, mas, com certeza, não é infundada. Impunidade gera mais crime. Talvez, a única diferença que vem à mente neste momento, é que o grupo do poder (o que atua em gabinetes ou repartições públicas) ainda é retratado nas páginas de política enquanto o dos bandidos que atacam nas ruas vai direto para a de polícia. Enquanto essa transição demorar para acontecer e o primeiro grupo continuar desfrutando de todas as regalias que dispõe, só restará para a sociedade a certeza de que aqueles que se dizem seus representantes só estão preocupados com as vantagens que podem extrair dos seus cargos. Triste e desanimadora convicção. Depois, não adianta um ou outro aparecer choramingando que não se pode generalizar, tratar todos como “farinha do mesmo saco”, etc.
Os verdadeiros cidadãos estão ocupados demais - trabalhando para honrar seus compromissos e pagar impostos que, ao invés de serem revertidos em benefícios públicos, servem para custear propinas. Não sobra tempo para o difícil exercício de tentar adivinhar quem se salva em um mundo tão sórdido.
João Álvares - Da Associação Paulista de Imprensa